O convênio cobre o DIU?
Na maioria dos casos, sim. A colocação do DIU pelo convênio está na lista obrigatória de procedimentos dos planos de saúde e, quando existe indicação médica, costuma ter cobertura. O que decide cada pedido é o seu contrato e, principalmente, o relatório médico.
Muita gente encontra essa resposta em sites de quem vende plano, e quase nunca alguém explica o que acontece do lado de quem coloca o DIU. É esse lado que eu conto a seguir.
Para que serve o relatório
O relatório é o texto em que eu explico, por escrito, por que você precisa do DIU. É ele que o plano lê para autorizar. Um papel que diz só “solicito DIU” costuma voltar com perguntas, e cada pergunta atrasa a sua colocação.
Por isso eu escrevo tudo: qual é a sua queixa e desde quando, o que você já tentou, o que o exame e o ultrassom mostraram, qual tipo de DIU eu indico e por quê, e o nome do procedimento com o código certo.
Se o DIU é para tratar menstruação muito forte, e não só para evitar gravidez, eu deixo isso escrito com clareza. Muda o tipo de pedido: passa a ser tratamento.
Onde a colocação acontece pelo plano
Eu coloco o DIU no consultório e também no hospital, com sedação. Pelo plano de saúde, a colocação é feita somente no hospital, com sedação.
| Situação | Como costuma ser feito |
|---|---|
| Colocação comum | No hospital, com sedação, em poucos minutos |
| Muita dor em exames anteriores | No hospital, com sedação |
| Tentativa anterior que não deu certo | No hospital, com sedação e câmera |
| Fio do DIU que sumiu no exame | No hospital, com sedação, ou consultório de histeroscopia, com câmera |
| Mioma, pólipo ou alteração dentro do útero | No hospital, com sedação |
Quando o caso pede câmera ou tratamento de alguma alteração dentro do útero, o pedido muda: entra a justificativa e, muitas vezes, o exame de imagem que mostrou o problema.
O que é a colocação com câmera
Uma câmera bem fina entra pelo colo do útero e mostra o caminho por dentro. Assim eu coloco o DIU vendo onde ele vai ficar, sem manobra às cegas. Esse jeito resolve casos em que a colocação no consultório não deu certo e também a retirada de um DIU cujo fio não aparece.
Costuma precisar desse caminho quem tem o colo do útero estreito, já operou o colo, tem o útero muito inclinado ou já teve uma tentativa que não avançou. Nunca ter tido filho deixa a colocação um pouco mais difícil, mas não impede o DIU.
Exames antes
Exame de sangue e preventivo não são exigidos para colocar o DIU. Quando a gravidez já foi descartada, dá até para colocar no mesmo dia da consulta, no consultório. Pelo plano, a colocação é agendada no hospital. O ultrassom ajuda pelo que mostra de dentro do útero, não porque seja uma exigência.
E pelo SUS?
Desde 2026, o DIU hormonal entrou na rede pública para mulheres com mioma e menstruação muito forte. A oferta está sendo organizada ao longo do ano.
Depois da colocação
A cólica passa em minutos ou poucas horas, com um pouco de sangue escuro nos dias seguintes. Depois da colocação no hospital, com sedação, a volta à rotina costuma ser rápida.
Procure atendimento antes do retorno se tiver febre, dor que piora, corrimento com cheiro forte ou sangramento muito volumoso.
Perguntas frequentes
Preciso de autorização antes? Na maioria das vezes, sim. É para isso que serve o relatório.
Por que pelo plano a colocação é no hospital? É assim que eu organizo o atendimento: pelo plano de saúde, a colocação é feita somente no hospital, com sedação. Fora do plano, ela pode ser no consultório ou no hospital.
Por que meu caso precisou de câmera? Os motivos mais comuns são tentativa anterior sem sucesso, colo estreito ou operado, fio sumido, DIU fora do lugar ou mioma e pólipo dentro do útero.
A troca do DIU segue o mesmo caminho? Sim. Se a retirada do antigo precisar de câmera, o pedido muda junto.
O que levo na consulta? Carteirinha, documento com foto, ultrassom com laudo, o relato de tentativas anteriores, se houve, e a lista dos remédios que você usa.
Qual DIU eu devo pedir? Isso se decide na consulta, olhando a sua menstruação e a sua história.
Se quiser conversar sobre o seu pedido antes de dar entrada no plano, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.
Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.
O convênio cobre? A resposta curta
A colocação do DIU pelo convênio depende, antes de tudo, de um bom relatório médico. A colocação do DIU faz parte do rol de procedimentos da ANS e, quando há indicação médica, os planos de saúde em geral a cobrem. A autorização depende de cada contrato, e quem informa carência, rede e prazos é a própria operadora.
O que quase ninguém explica é a parte clínica do pedido, que é justamente a que está nas mãos de quem atende. O dispositivo e o procedimento podem ser analisados em separado, e o documento que sustenta as duas análises é o mesmo. Na minha prática, a colocação pelo plano de saúde é feita somente no hospital, com sedação, e o pedido já nasce montado para esse cenário. Existe ainda uma situação menos conhecida que muda o trâmite: quando a colocação ou a retirada precisa ser feita sob visão direta, por histeroscopia.
O que é o relatório e por que ele pesa tanto
O relatório é o texto em que eu registro, por escrito, a razão clínica do que estou pedindo. Não é formalidade: é a peça que a análise do plano lê. Um relatório que diz apenas “solicito DIU” convida a uma pergunta de volta, e cada pergunta de volta é tempo perdido para você.
Por isso eu escrevo com começo, meio e fim. Entram a queixa e há quanto tempo ela existe, o que já foi tentado antes e por que não serviu, os achados do exame e do ultrassom, o tipo de dispositivo indicado com a justificativa clínica da escolha, e o nome do procedimento com o código correspondente na tabela de referência.
Também cuido para que o relatório e o pedido digam a mesma coisa. Se o relatório descreve sangramento aumentado e o pedido fala só em contracepção, ou se o relatório menciona histeroscopia e o pedido traz apenas o código da inserção simples, a análise tende a parar na inconsistência e voltar com perguntas. Um texto coerente, com o tipo de dispositivo e o cenário da colocação definidos na consulta, costuma encurtar esse caminho. Quando algo muda depois, como a necessidade de visão direta pela histeroscopia, o relatório é refeito com a nova informação, em vez de remendado.
Quando o DIU entra como tratamento, e não como contracepção
Há um detalhe que muda a natureza do pedido. Quando a indicação é sangramento menstrual aumentado, e não contracepção, eu escrevo isso com todas as letras, porque o pedido passa a ser de tratamento. A revisão Cochrane de Bofill Rodriguez e colaboradores (2020) reuniu a evidência dos sistemas intrauterinos liberadores de progestágeno para essa indicação, e é esse conjunto de estudos que eu cito no relatório para sustentar o pedido.
Se você ainda está em dúvida entre os dois tipos, a comparação está em diferença entre DIU de cobre e hormonal, e o efeito esperado do hormonal no sangramento está em sem menstruar com DIU hormonal.
Pelo plano, onde a colocação acontece?
Eu coloco o DIU no consultório e também no hospital, com sedação. Quando a colocação é pelo plano de saúde, ela é feita somente no hospital, com sedação. O que muda de um caso para outro é o procedimento descrito e o que acompanha o pedido. A tabela mostra como eu organizo isso.
| Situação | Onde é feito | O que vai no pedido |
|---|---|---|
| Colocação de rotina, colo acessível | No hospital, com sedação | Procedimento de inserção e o dispositivo |
| Dor importante em exames anteriores ou colo difícil previsto | No hospital, com sedação | Procedimento, dispositivo e a descrição da dor ou do colo difícil |
| Tentativa anterior sem sucesso | No hospital, com sedação, sob visão direta | Procedimento histeroscópico, dispositivo e relato da tentativa anterior |
| Fios não visualizados, dispositivo não localizado ao exame | No hospital, com sedação, ou ambulatório de histeroscopia | Procedimento histeroscópico e o exame de imagem que motivou |
| Cavidade alterada por mioma submucoso, pólipo ou septo | No hospital, com sedação | Tratamento da lesão e, no mesmo tempo ou depois, a colocação |
| Dispositivo aderido ou fora de posição para retirar | No hospital, com sedação, sob visão direta | Procedimento histeroscópico e a imagem que documentou a posição |
Quais exames o pedido não precisa ter?
Exame de triagem desnecessário não entra em nenhum desses pedidos. As recomendações atuais não pedem hemograma, citologia oncótica nem sorologias antes do DIU, e, uma vez razoavelmente afastada a gravidez, colocar o dispositivo na mesma consulta virou a regra (US SPR, 2024; WHO SPR, 4ª edição, 2025). Isso vale para a colocação no consultório; pelo plano, ela é agendada no hospital. Pedir exame que a recomendação não pede só atrasa o agendamento, sem acrescentar segurança. O ultrassom transvaginal continua útil, pelo que mostra da cavidade, e não como requisito burocrático.
Quando a colocação vai para a histeroscopia
Na histeroscopia, uma óptica fina passa pelo colo e mostra o interior do útero, que fica aberto pelo soro. Na revisão de 2024 da diretriz Green-top nº 59 do Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, assinada por De Silva e colaboradores, a recomendação de grau A é que todo serviço de ginecologia tenha histeroscopia ambulatorial, e a colocação e a retirada de dispositivos intrauterinos aparecem nominalmente entre os usos dessa oferta.
Sob visão direta, eu percorro o canal cervical com o próprio aparelho, sem manobra às cegas, e inspeciono a cavidade antes de posicionar o dispositivo. Isso resolve a colocação que não avançou no consultório e também a retirada de um dispositivo cujos fios não aparecem.
Esse caminho costuma ser o de quem tem colo estreito ou já operado, útero com angulação acentuada ou uma tentativa anterior que não deu certo. Em mulheres que nunca tiveram filho, Foran e colaboradores (2018) encontraram inserção mais difícil e com mais falhas, e isso não contraindica o método, como explico em DIU para quem nunca engravidou. Usar misoprostol antes não muda esse quadro: nos seis ensaios randomizados revisados, a taxa de falha de inserção foi a mesma com e sem o remédio (Matthews et al., 2016).
Pelo plano, a sedação faz parte da colocação, que é feita no hospital. O consenso do American College of Obstetricians and Gynecologists de 2025 trata a discussão das opções de controle de dor como parte do procedimento, e eu detalho essas opções em dor ao colocar DIU.
E pelo SUS, mudou alguma coisa?
Fora da saúde suplementar, houve mudança em 2026. A Portaria SCTIE/MS nº 7, de 8 de janeiro de 2026, tornou pública a decisão do Relatório de Recomendação nº 1.066 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS: o DIU liberador de levonorgestrel passou a fazer parte do Sistema Único de Saúde para tratar pessoas em idade reprodutiva que têm leiomioma de útero com sangramento uterino intenso e podem usar terapia hormonal, seguindo o protocolo clínico do Ministério da Saúde. As áreas técnicas têm até 180 dias, pela mesma portaria, para colocar a oferta em prática, de modo que a rede pública vai passando a oferecer o dispositivo ao longo de 2026.
Depois do procedimento
Depois da colocação, o esperado é uma cólica que passa entre alguns minutos e poucas horas, além de um sangramento escuro, em borra, durante alguns dias. Depois da colocação no hospital, com sedação, a volta às atividades costuma ser rápida.
Febre, dor pélvica que vai piorando, corrimento com cheiro ruim ou sangramento muito volumoso são motivos para procurar atendimento antes da data do retorno. O maior acompanhamento já publicado do sistema de 52 mg seguiu 1.751 participantes durante todo o uso e registrou perfuração uterina em 0,1% e infecção pélvica em 0,9% (Creinin et al., 2022).
O que trazer e o que perguntar antes de dar entrada no pedido
Um pedido bem montado começa na consulta. Para que o relatório saia completo na primeira vez, peço que você traga:
- a carteirinha do plano e um documento com foto;
- o ultrassom transvaginal recente, com o laudo completo;
- o relato de uma tentativa anterior de colocação, se houve;
- a anotação do seu padrão menstrual, em dias e intensidade;
- exames de sangue recentes, se já tiver;
- a lista de medicamentos em uso, incluindo anticoagulantes.
E algumas perguntas que valem para qualquer médico que for fazer o seu pedido: a colocação vai ser no consultório ou no hospital, com sedação? O que exatamente vai constar no relatório? Que procedimento e que código vão no pedido? O dispositivo vai junto com o procedimento ou em separado? Enquanto a autorização não sai, há algo a fazer pelo meu caso? Depois da colocação, quem faz o meu acompanhamento?
Saber essas respostas antes evita a sensação de estar no escuro enquanto o pedido tramita, e ajuda você a acompanhar o andamento com a operadora.
Perguntas frequentes
Preciso de autorização prévia? Na maior parte dos casos, sim, e é para isso que serve o relatório. Pelo plano, a colocação é feita no hospital, com sedação, e o relatório descreve esse cenário.
Por que o meu caso foi para histeroscopia? As razões mais comuns são tentativa anterior sem sucesso, colo estreito ou operado, fios não encontrados, dispositivo fora de posição e cavidade alterada por mioma submucoso ou pólipo.
A troca do DIU segue o mesmo caminho? Sim, o raciocínio é o mesmo: o relatório traz a indicação, o procedimento e o dispositivo. Se for preciso ver por dentro para retirar o antigo, o pedido vira histeroscópico.
Dá para colocar com sedação pelo convênio? Sim. Pelo plano de saúde, eu faço a colocação somente no hospital, com sedação, e registro no relatório o procedimento e a indicação.
Qual tipo de DIU eu devo pedir? O tipo sai da consulta, a partir do seu padrão de fluxo e da sua história clínica. Quando o objetivo é reduzir sangramento, isso precisa estar escrito no pedido.
Se quiser conversar sobre o seu pedido e o que ele precisa conter, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.
Referências
- De Silva PM, Smith PP, Cooper NAM, Clark TJ; Royal College of Obstetricians and Gynaecologists. Outpatient Hysteroscopy (Green-top Guideline no. 59). BJOG. 2024;131(13):e86-e110. DOI 10.1111/1471-0528.17907 · PMID 39160077
- Curtis KM, Nguyen AT, Tepper NK, et al. U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, 2024. MMWR Recomm Rep. 2024;73(3):1-77. DOI 10.15585/mmwr.rr7303a1 · PMID 39106301
- World Health Organization. Selected practice recommendations for contraceptive use. 4th ed. Geneva: World Health Organization; 2025. PMID 41325507
- Foran T, Butcher BE, Kovacs G, Bateson D, O’Connor V. Safety of insertion of the copper IUD and LNG-IUS in nulliparous women: a systematic review. Eur J Contracept Reprod Health Care. 2018;23(5):379-386. DOI 10.1080/13625187.2018.1526898 · PMID 30382754
- Matthews LR, O’Dwyer L, O’Neill E. Intrauterine Device Insertion Failure After Misoprostol Administration: A Systematic Review. Obstet Gynecol. 2016;128(5):1084-1091. DOI 10.1097/AOG.0000000000001696 · PMID 27741184
- Creinin MD, Schreiber CA, Turok DK, Cwiak C, Chen BA, Olariu AI. Levonorgestrel 52 mg intrauterine system efficacy and safety through 8 years of use. Am J Obstet Gynecol. 2022;227(6):871.e1-871.e7. DOI 10.1016/j.ajog.2022.05.022 · PMID 35569516
- Bofill Rodriguez M, Lethaby A, Jordan V. Progestogen-releasing intrauterine systems for heavy menstrual bleeding. Cochrane Database Syst Rev. 2020;6(6):CD002126. DOI 10.1002/14651858.CD002126.pub4 · PMID 32529637
- American College of Obstetricians and Gynecologists’ Committee on Clinical Consensus-Gynecology. Pain Management for In-Office Uterine and Cervical Procedures: ACOG Clinical Consensus No. 9. Obstet Gynecol. 2025;146(1):161-177. DOI 10.1097/AOG.0000000000005911 · PMID 40373312
- Brasil. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Relatório de Recomendação nº 1.066: ácido tranexâmico e dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU-LNG) para pacientes com leiomioma de útero com sangramento uterino intenso. Brasília: Ministério da Saúde; dezembro de 2025. gov.br/conitec
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde. Portaria SCTIE/MS nº 7, de 8 de janeiro de 2026. Diário Oficial da União, nº 7, Seção 1, 12 jan. 2026, p. 66. Publicada como nº 101 e retificada para nº 7.

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico
Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.
Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 22 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.
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