Qual é a diferença?
Todo DIU hormonal solta o mesmo hormônio, direto dentro do útero. O que muda é a quantidade. E a quantidade mexe principalmente na menstruação: quanto mais hormônio, menos você costuma sangrar.
- 52 mg: o que mais diminui a menstruação. Também serve para tratar menstruação muito forte e para a endometriose.
- 19,5 mg: dose menor. Protege contra gravidez por cinco anos nos estudos, e a maioria das mulheres continua menstruando, em geral menos que antes.
- 13,5 mg: dose ainda menor, estudada por três anos. Antes de pensar nele, eu confiro se está disponível no Brasil.
Lado a lado
| 52 mg | 19,5 mg | |
|---|---|---|
| Estudado por | até 8 anos | 5 anos |
| Sem menstruar | cerca de 4 em cada 10, depois de 7 anos de uso | cerca de 2 em cada 10, no fim de 5 anos |
| Trata menstruação muito forte? | Sim, está na bula | Foi estudado para evitar gravidez |
| Usado na endometriose? | Sim | Não nos estudos |
| Protege contra gravidez? | Sim, muito bem | Sim, muito bem |
Os números vêm de estudos diferentes. Eles ajudam a entender cada um, mas não são uma disputa entre os dois.
Dose menor tem menos efeito colateral?
O hormônio age principalmente dentro do útero, nos dois. As regras médicas que dizem quem pode e quem não pode usar são as mesmas para todos os DIUs hormonais. O que a dose muda de verdade é a menstruação.
Quando eu penso em cada um
| Seu caso | Eu costumo conversar sobre |
|---|---|
| Menstruação muito forte ou falta de ferro | 52 mg |
| Endometriose ou cólica forte | 52 mg |
| Quer menstruar o mínimo possível | 52 mg |
| Quer menos hormônio e não se importa de menstruar | 19,5 mg |
| Não quer hormônio nenhum | DIU de cobre |
Se você está entre o hormonal e o de cobre, a comparação está em DIU de cobre ou hormonal.
E para engravidar depois?
A fertilidade volta depois da retirada. Num estudo com o de 19,5 mg, cerca de 7 em cada 10 mulheres que tiraram o DIU para engravidar conseguiram em até um ano.
Como é a colocação
É igual para todos. Eu coloco no consultório e também no hospital, com sedação. Pelo plano de saúde, a colocação é feita somente no hospital, com sedação.
O que levar na consulta
- Como é a sua menstruação: quantos dias, quanto sangra, se tem cólica.
- Ultrassom e hemograma recentes, se tiver.
- Os métodos que já usou e o que achou.
Perguntas frequentes
Quem nunca teve filho precisa do de dose menor? Não necessariamente. Os dois foram estudados em mulheres que nunca tiveram filho. A escolha depende mais da sua menstruação.
Com o de 19,5 mg eu vou menstruar? Na maioria das vezes, sim, com menos fluxo.
Qual dura mais? O de 52 mg foi estudado por mais tempo. O prazo que vale é o da bula do modelo colocado, e eu anoto a data da troca.
Posso trocar de um para o outro? Pode. A troca segue o mesmo caminho da colocação.
Se quiser conversar sobre qual dose combina com você, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.
Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.
A diferença em uma frase
Todos os DIUs hormonais liberam o mesmo hormônio, o levonorgestrel, direto dentro do útero. O que muda entre eles é a quantidade total de hormônio, e isso mexe principalmente em três coisas: o quanto a menstruação diminui, as indicações além da contracepção e o tempo que cada modelo foi estudado.
Na prática: o de 52 mg é o que mais reduz o fluxo e o que tem, na bula brasileira, indicação de tratar menstruação muito intensa. O de 19,5 mg tem dose menor, foi estudado por cinco anos para contracepção e costuma deixar a menstruação mais presente. O de 13,5 mg, menor ainda, foi estudado por três anos.
No consultório, quando alguém me pergunta “qual é o meu?”, a resposta começa pela menstruação que você tem hoje e pelo que você espera dela.
As doses lado a lado
| 52 mg | 19,5 mg | 13,5 mg | |
|---|---|---|---|
| Estudado por quanto tempo | Até 8 anos de uso contínuo (Creinin et al., 2022) | 5 anos (Gemzell-Danielsson et al., 2017) | 3 anos (Nelson et al., 2013) |
| Gravidez nos estudos | 1,32 por 100 mulheres no acumulado de 8 anos | Índice de Pearl de 0,29 em 5 anos | Índice de Pearl de 0,33 em 3 anos |
| Ausência de menstruação | 39% nos anos 7 e 8 | 22,6% no fim do 5º ano | Não descrita no resumo do estudo |
| Indicações além da contracepção na bula brasileira | Menstruação muito intensa sem causa estrutural; proteção do endométrio na reposição de estrogênio | Confirmo na consulta, pela bula do modelo | Confirmo na consulta se está disponível no Brasil |
| Estudado como tratamento de endometriose | Sim (diretriz ESHRE, 2022) | Não nos estudos citados | Não nos estudos citados |
Uma ressalva de leitura: os números de cada coluna vêm de estudos diferentes, com populações e tempos diferentes. Eles mostram o comportamento de cada dispositivo, mas não servem como comparação direta de um contra o outro. O índice de Pearl conta gestações por 100 mulheres a cada ano de uso; quanto mais perto de zero, mais eficaz.
O de 52 mg: quando eu penso nele primeiro
O de 52 mg libera cerca de 20 microgramas de levonorgestrel por dia no início, caindo para perto de 10 microgramas por dia em cinco anos, segundo a ficha da bula que a Conitec transcreveu em 2025. A mesma ficha lista as indicações aprovadas na Anvisa: contracepção, menstruação muito intensa sem causa estrutural e prevenção da hiperplasia do endométrio durante a reposição de estrogênio.
Por isso, eu penso nele primeiro quando:
- a menstruação é muito intensa ou causa falta de ferro. A revisão Cochrane de Bofill Rodriguez e colaboradores (2020), com 25 ensaios e 2.511 mulheres, reuniu a evidência dos sistemas intrauterinos de progestágeno nessa situação;
- há endometriose. A diretriz da ESHRE de 2022 recomenda o DIU hormonal para reduzir a dor da endometriose e, depois da cirurgia, especifica o de 52 mg;
- a mulher está na transição para a menopausa e vai precisar de proteção do endométrio durante a reposição de estrogênio;
- o objetivo é menstruar o mínimo possível.
No estudo de Creinin e colaboradores (2022), com 1.751 participantes, a ausência de menstruação chegou a 39% nos anos 7 e 8 de uso. Mais da metade das participantes entre 16 e 35 anos nunca tinha tido filho (57,5%), o que mostra que a dose maior não é exclusiva de quem já teve parto.
O de 19,5 mg: quando ele faz mais sentido
O de 19,5 mg foi avaliado num ensaio com 1.452 mulheres de 18 a 35 anos; no ensaio inteiro, somando as duas doses menores, 39,2% nunca tinham tido parto (Nelson et al., 2013). Na extensão para cinco anos, o índice de Pearl acumulado foi de 0,29 e a falha cumulativa, de 1,4% (Gemzell-Danielsson et al., 2017).
O padrão de sangramento é diferente. No fim do quinto ano, 22,6% das usuárias estavam sem menstruar. Ou seja, a maioria continua com algum sangramento, em geral menor que antes. Para quem quer um método de longa duração, prefere menos hormônio e não se incomoda em continuar menstruando, ele costuma ser uma boa conversa.
Ele não é a minha escolha quando o motivo do DIU é tratar menstruação muito intensa ou endometriose, porque os estudos que sustentam essas indicações foram feitos com o de 52 mg.
E o de 13,5 mg?
O de 13,5 mg foi estudado por três anos, com índice de Pearl de 0,33 (Nelson et al., 2013). Antes de considerar esse modelo, eu confirmo na consulta se ele está disponível e registrado no Brasil.
Dose menor quer dizer menos efeito colateral?
Essa é a pergunta mais comum, e a resposta honesta é: depende do efeito. Em todos os modelos o hormônio age sobretudo dentro do útero. Os critérios de elegibilidade americanos de 2024 (Nguyen et al.) aplicam a mesma classificação aos DIUs de levonorgestrel de 13,5 mg, 19,5 mg e 52 mg, sem separar pela dose. Na prática, isso quer dizer que as condições de saúde que permitem ou contraindicam um permitem ou contraindicam os outros.
O que a dose muda de forma clara é a menstruação: quanto mais levonorgestrel, mais o endométrio afina e menos você sangra. Escrevi mais sobre isso em sem menstruar com DIU hormonal.
Quantas mulheres desistem de cada um?
É uma pergunta justa, e os estudos respondem em parte. No ensaio de três anos com as doses menores, 21,9% das usuárias do de 13,5 mg e 19,1% das do de 19,5 mg retiraram o dispositivo por algum efeito adverso relatado (Nelson et al., 2013). Na extensão de cinco anos do de 19,5 mg, 22,6% suspenderam por efeito adverso ao longo do período, e 76 mulheres retiraram por queixas de sangramento, incluindo a ausência de menstruação (Gemzell-Danielsson et al., 2017).
Com o de 52 mg, no estudo de oito anos, 2,6% das participantes retiraram por queixa de sangramento (Creinin et al., 2022).
De novo, são estudos diferentes, e os números não servem como placar. O que eles ensinam é que a maior parte das retiradas tem a ver com o padrão de sangramento. Por isso eu gasto tempo na consulta explicando o que esperar da menstruação com cada dose, antes da colocação.
E se eu quiser engravidar depois?
A fertilidade volta depois da retirada. No estudo de cinco anos com o de 19,5 mg, 71,2% das mulheres que retiraram o DIU para engravidar conceberam em até 12 meses (Gemzell-Danielsson et al., 2017).
Como eu ajudo a escolher
| Se o seu caso é… | Eu costumo conversar sobre… |
|---|---|
| Menstruação muito intensa ou falta de ferro | 52 mg |
| Endometriose ou cólica forte | 52 mg |
| Quer menstruar o mínimo possível | 52 mg |
| Quer menos hormônio e aceita continuar menstruando | 19,5 mg |
| Reposição de estrogênio na menopausa com útero | 52 mg, pela indicação de proteger o endométrio |
| Não quer hormônio nenhum | DIU de cobre |
O DIU de cobre entra na conversa para quem prefere não usar hormônio. A comparação está em DIU de cobre ou hormonal. Se a sua dúvida é sobre a cobertura na endometriose, escrevi sobre a regra nova em DIU hormonal para endometriose pelo plano.
A colocação é igual para todos os modelos. Eu coloco no consultório e também no hospital, com sedação. Pelo plano de saúde, a colocação é feita somente no hospital, com sedação.
O que levar na consulta
- Como é a sua menstruação: quantos dias dura, quanto sangra, se tem cólica.
- Exames recentes, principalmente ultrassom e hemograma, se tiver.
- Os métodos que você já usou e o que achou de cada um.
- Se pensa em engravidar e quando.
Perguntas frequentes
O de 19,5 mg é melhor para quem nunca teve filho? Os dois foram estudados em mulheres que nunca tiveram filho. A escolha pesa mais a menstruação e a indicação do que o fato de ter tido parto. Escrevi sobre isso em DIU em quem nunca engravidou.
O de 52 mg dá mais efeito colateral? A dose maior afina mais o endométrio e reduz mais o fluxo. As condições de saúde que permitem ou contraindicam são as mesmas para todos os DIUs de levonorgestrel.
Com o de 19,5 mg eu continuo menstruando? Na maioria dos casos, sim, em geral com menos fluxo. No estudo de cinco anos, 22,6% estavam sem menstruar no fim do período.
Qual dura mais? Os estudos foram até 8 anos com o de 52 mg, 5 anos com o de 19,5 mg e 3 anos com o de 13,5 mg. O prazo que vale para você é o da bula do modelo colocado, e eu registro a data de troca.
Posso trocar de um modelo para o outro? Pode. A troca é feita da mesma forma que a colocação.
Se quiser conversar sobre qual dose faz mais sentido para você, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.
Referências
- Nelson A, Apter D, Hauck B, Schmelter T, Rybowski S, Rosen K, Gemzell-Danielsson K. Two low-dose levonorgestrel intrauterine contraceptive systems: a randomized controlled trial. Obstet Gynecol. 2013;122(6):1205-1213. DOI 10.1097/AOG.0000000000000019. PMID 24240244
- Gemzell-Danielsson K, Apter D, Dermout S, Faustmann T, Rosen K, Schmelter T, Merz M, Nelson A. Evaluation of a new, low-dose levonorgestrel intrauterine contraceptive system over 5 years of use. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2017;210:22-28. DOI 10.1016/j.ejogrb.2016.11.022. PMID 27930941
- Creinin MD, Schreiber CA, Turok DK, Cwiak C, Chen BA, Olariu AI. Levonorgestrel 52 mg intrauterine system efficacy and safety through 8 years of use. Am J Obstet Gynecol. 2022;227(6):871.e1-871.e7. DOI 10.1016/j.ajog.2022.05.022. PMID 35569516
- Bofill Rodriguez M, Lethaby A, Jordan V. Progestogen-releasing intrauterine systems for heavy menstrual bleeding. Cochrane Database Syst Rev. 2020;6(6):CD002126. DOI 10.1002/14651858.CD002126.pub4. PMID 32529637
- Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al.; ESHRE Endometriosis Guideline Group. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. DOI 10.1093/hropen/hoac009. PMID 35350465
- Brasil. Ministério da Saúde. Conitec. Relatório de Recomendação nº 1002: Dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel para pacientes com endometriose com contraindicação ou não adesão aos contraceptivos orais combinados (COCs). Brasília: Ministério da Saúde; maio de 2025. gov.br/conitec
- Nguyen AT, Curtis KM, Tepper NK, Kortsmit K, Brittain AW, Snyder EM, Cohen MA, Zapata LB, Whiteman MK. U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024. MMWR Recomm Rep. 2024;73(4):1-126. DOI 10.15585/mmwr.rr7304a1. PMID 39106314

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico
Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.
Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 26 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.
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