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Ristow Ginecologia e Obstetrícia · Dr. José Ricardo Ristow
DIU

DIU hormonal: qual a diferença entre as doses e como escolher o seu?

Os DIUs hormonais têm doses diferentes, e isso muda a menstruação e para que cada um serve. Explico em palavras simples como eu ajudo a escolher o seu.

Dr. José Ricardo W. Ristow

Escrito e revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593

Publicado em
Revisado em · 11 min de leitura

Qual é a diferença?

Todo DIU hormonal solta o mesmo hormônio, direto dentro do útero. O que muda é a quantidade. E a quantidade mexe principalmente na menstruação: quanto mais hormônio, menos você costuma sangrar.

  • 52 mg: o que mais diminui a menstruação. Também serve para tratar menstruação muito forte e para a endometriose.
  • 19,5 mg: dose menor. Protege contra gravidez por cinco anos nos estudos, e a maioria das mulheres continua menstruando, em geral menos que antes.
  • 13,5 mg: dose ainda menor, estudada por três anos. Antes de pensar nele, eu confiro se está disponível no Brasil.

Lado a lado

52 mg 19,5 mg
Estudado por até 8 anos 5 anos
Sem menstruar cerca de 4 em cada 10, depois de 7 anos de uso cerca de 2 em cada 10, no fim de 5 anos
Trata menstruação muito forte? Sim, está na bula Foi estudado para evitar gravidez
Usado na endometriose? Sim Não nos estudos
Protege contra gravidez? Sim, muito bem Sim, muito bem

Os números vêm de estudos diferentes. Eles ajudam a entender cada um, mas não são uma disputa entre os dois.

Dose menor tem menos efeito colateral?

O hormônio age principalmente dentro do útero, nos dois. As regras médicas que dizem quem pode e quem não pode usar são as mesmas para todos os DIUs hormonais. O que a dose muda de verdade é a menstruação.

Quando eu penso em cada um

Seu caso Eu costumo conversar sobre
Menstruação muito forte ou falta de ferro 52 mg
Endometriose ou cólica forte 52 mg
Quer menstruar o mínimo possível 52 mg
Quer menos hormônio e não se importa de menstruar 19,5 mg
Não quer hormônio nenhum DIU de cobre

Se você está entre o hormonal e o de cobre, a comparação está em DIU de cobre ou hormonal.

E para engravidar depois?

A fertilidade volta depois da retirada. Num estudo com o de 19,5 mg, cerca de 7 em cada 10 mulheres que tiraram o DIU para engravidar conseguiram em até um ano.

Como é a colocação

É igual para todos. Eu coloco no consultório e também no hospital, com sedação. Pelo plano de saúde, a colocação é feita somente no hospital, com sedação.

O que levar na consulta

  • Como é a sua menstruação: quantos dias, quanto sangra, se tem cólica.
  • Ultrassom e hemograma recentes, se tiver.
  • Os métodos que já usou e o que achou.

Perguntas frequentes

Quem nunca teve filho precisa do de dose menor? Não necessariamente. Os dois foram estudados em mulheres que nunca tiveram filho. A escolha depende mais da sua menstruação.

Com o de 19,5 mg eu vou menstruar? Na maioria das vezes, sim, com menos fluxo.

Qual dura mais? O de 52 mg foi estudado por mais tempo. O prazo que vale é o da bula do modelo colocado, e eu anoto a data da troca.

Posso trocar de um para o outro? Pode. A troca segue o mesmo caminho da colocação.

Se quiser conversar sobre qual dose combina com você, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Quer o detalhe? O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes.
Versão completa

Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.

A diferença em uma frase

Todos os DIUs hormonais liberam o mesmo hormônio, o levonorgestrel, direto dentro do útero. O que muda entre eles é a quantidade total de hormônio, e isso mexe principalmente em três coisas: o quanto a menstruação diminui, as indicações além da contracepção e o tempo que cada modelo foi estudado.

Na prática: o de 52 mg é o que mais reduz o fluxo e o que tem, na bula brasileira, indicação de tratar menstruação muito intensa. O de 19,5 mg tem dose menor, foi estudado por cinco anos para contracepção e costuma deixar a menstruação mais presente. O de 13,5 mg, menor ainda, foi estudado por três anos.

No consultório, quando alguém me pergunta “qual é o meu?”, a resposta começa pela menstruação que você tem hoje e pelo que você espera dela.

As doses lado a lado

52 mg 19,5 mg 13,5 mg
Estudado por quanto tempo Até 8 anos de uso contínuo (Creinin et al., 2022) 5 anos (Gemzell-Danielsson et al., 2017) 3 anos (Nelson et al., 2013)
Gravidez nos estudos 1,32 por 100 mulheres no acumulado de 8 anos Índice de Pearl de 0,29 em 5 anos Índice de Pearl de 0,33 em 3 anos
Ausência de menstruação 39% nos anos 7 e 8 22,6% no fim do 5º ano Não descrita no resumo do estudo
Indicações além da contracepção na bula brasileira Menstruação muito intensa sem causa estrutural; proteção do endométrio na reposição de estrogênio Confirmo na consulta, pela bula do modelo Confirmo na consulta se está disponível no Brasil
Estudado como tratamento de endometriose Sim (diretriz ESHRE, 2022) Não nos estudos citados Não nos estudos citados

Uma ressalva de leitura: os números de cada coluna vêm de estudos diferentes, com populações e tempos diferentes. Eles mostram o comportamento de cada dispositivo, mas não servem como comparação direta de um contra o outro. O índice de Pearl conta gestações por 100 mulheres a cada ano de uso; quanto mais perto de zero, mais eficaz.

O de 52 mg: quando eu penso nele primeiro

O de 52 mg libera cerca de 20 microgramas de levonorgestrel por dia no início, caindo para perto de 10 microgramas por dia em cinco anos, segundo a ficha da bula que a Conitec transcreveu em 2025. A mesma ficha lista as indicações aprovadas na Anvisa: contracepção, menstruação muito intensa sem causa estrutural e prevenção da hiperplasia do endométrio durante a reposição de estrogênio.

Por isso, eu penso nele primeiro quando:

  • a menstruação é muito intensa ou causa falta de ferro. A revisão Cochrane de Bofill Rodriguez e colaboradores (2020), com 25 ensaios e 2.511 mulheres, reuniu a evidência dos sistemas intrauterinos de progestágeno nessa situação;
  • há endometriose. A diretriz da ESHRE de 2022 recomenda o DIU hormonal para reduzir a dor da endometriose e, depois da cirurgia, especifica o de 52 mg;
  • a mulher está na transição para a menopausa e vai precisar de proteção do endométrio durante a reposição de estrogênio;
  • o objetivo é menstruar o mínimo possível.

No estudo de Creinin e colaboradores (2022), com 1.751 participantes, a ausência de menstruação chegou a 39% nos anos 7 e 8 de uso. Mais da metade das participantes entre 16 e 35 anos nunca tinha tido filho (57,5%), o que mostra que a dose maior não é exclusiva de quem já teve parto.

O de 19,5 mg: quando ele faz mais sentido

O de 19,5 mg foi avaliado num ensaio com 1.452 mulheres de 18 a 35 anos; no ensaio inteiro, somando as duas doses menores, 39,2% nunca tinham tido parto (Nelson et al., 2013). Na extensão para cinco anos, o índice de Pearl acumulado foi de 0,29 e a falha cumulativa, de 1,4% (Gemzell-Danielsson et al., 2017).

O padrão de sangramento é diferente. No fim do quinto ano, 22,6% das usuárias estavam sem menstruar. Ou seja, a maioria continua com algum sangramento, em geral menor que antes. Para quem quer um método de longa duração, prefere menos hormônio e não se incomoda em continuar menstruando, ele costuma ser uma boa conversa.

Ele não é a minha escolha quando o motivo do DIU é tratar menstruação muito intensa ou endometriose, porque os estudos que sustentam essas indicações foram feitos com o de 52 mg.

E o de 13,5 mg?

O de 13,5 mg foi estudado por três anos, com índice de Pearl de 0,33 (Nelson et al., 2013). Antes de considerar esse modelo, eu confirmo na consulta se ele está disponível e registrado no Brasil.

Dose menor quer dizer menos efeito colateral?

Essa é a pergunta mais comum, e a resposta honesta é: depende do efeito. Em todos os modelos o hormônio age sobretudo dentro do útero. Os critérios de elegibilidade americanos de 2024 (Nguyen et al.) aplicam a mesma classificação aos DIUs de levonorgestrel de 13,5 mg, 19,5 mg e 52 mg, sem separar pela dose. Na prática, isso quer dizer que as condições de saúde que permitem ou contraindicam um permitem ou contraindicam os outros.

O que a dose muda de forma clara é a menstruação: quanto mais levonorgestrel, mais o endométrio afina e menos você sangra. Escrevi mais sobre isso em sem menstruar com DIU hormonal.

Quantas mulheres desistem de cada um?

É uma pergunta justa, e os estudos respondem em parte. No ensaio de três anos com as doses menores, 21,9% das usuárias do de 13,5 mg e 19,1% das do de 19,5 mg retiraram o dispositivo por algum efeito adverso relatado (Nelson et al., 2013). Na extensão de cinco anos do de 19,5 mg, 22,6% suspenderam por efeito adverso ao longo do período, e 76 mulheres retiraram por queixas de sangramento, incluindo a ausência de menstruação (Gemzell-Danielsson et al., 2017).

Com o de 52 mg, no estudo de oito anos, 2,6% das participantes retiraram por queixa de sangramento (Creinin et al., 2022).

De novo, são estudos diferentes, e os números não servem como placar. O que eles ensinam é que a maior parte das retiradas tem a ver com o padrão de sangramento. Por isso eu gasto tempo na consulta explicando o que esperar da menstruação com cada dose, antes da colocação.

E se eu quiser engravidar depois?

A fertilidade volta depois da retirada. No estudo de cinco anos com o de 19,5 mg, 71,2% das mulheres que retiraram o DIU para engravidar conceberam em até 12 meses (Gemzell-Danielsson et al., 2017).

Como eu ajudo a escolher

Se o seu caso é… Eu costumo conversar sobre…
Menstruação muito intensa ou falta de ferro 52 mg
Endometriose ou cólica forte 52 mg
Quer menstruar o mínimo possível 52 mg
Quer menos hormônio e aceita continuar menstruando 19,5 mg
Reposição de estrogênio na menopausa com útero 52 mg, pela indicação de proteger o endométrio
Não quer hormônio nenhum DIU de cobre

O DIU de cobre entra na conversa para quem prefere não usar hormônio. A comparação está em DIU de cobre ou hormonal. Se a sua dúvida é sobre a cobertura na endometriose, escrevi sobre a regra nova em DIU hormonal para endometriose pelo plano.

A colocação é igual para todos os modelos. Eu coloco no consultório e também no hospital, com sedação. Pelo plano de saúde, a colocação é feita somente no hospital, com sedação.

O que levar na consulta

  • Como é a sua menstruação: quantos dias dura, quanto sangra, se tem cólica.
  • Exames recentes, principalmente ultrassom e hemograma, se tiver.
  • Os métodos que você já usou e o que achou de cada um.
  • Se pensa em engravidar e quando.

Perguntas frequentes

O de 19,5 mg é melhor para quem nunca teve filho? Os dois foram estudados em mulheres que nunca tiveram filho. A escolha pesa mais a menstruação e a indicação do que o fato de ter tido parto. Escrevi sobre isso em DIU em quem nunca engravidou.

O de 52 mg dá mais efeito colateral? A dose maior afina mais o endométrio e reduz mais o fluxo. As condições de saúde que permitem ou contraindicam são as mesmas para todos os DIUs de levonorgestrel.

Com o de 19,5 mg eu continuo menstruando? Na maioria dos casos, sim, em geral com menos fluxo. No estudo de cinco anos, 22,6% estavam sem menstruar no fim do período.

Qual dura mais? Os estudos foram até 8 anos com o de 52 mg, 5 anos com o de 19,5 mg e 3 anos com o de 13,5 mg. O prazo que vale para você é o da bula do modelo colocado, e eu registro a data de troca.

Posso trocar de um modelo para o outro? Pode. A troca é feita da mesma forma que a colocação.

Se quiser conversar sobre qual dose faz mais sentido para você, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Referências

  1. Nelson A, Apter D, Hauck B, Schmelter T, Rybowski S, Rosen K, Gemzell-Danielsson K. Two low-dose levonorgestrel intrauterine contraceptive systems: a randomized controlled trial. Obstet Gynecol. 2013;122(6):1205-1213. DOI 10.1097/AOG.0000000000000019. PMID 24240244
  2. Gemzell-Danielsson K, Apter D, Dermout S, Faustmann T, Rosen K, Schmelter T, Merz M, Nelson A. Evaluation of a new, low-dose levonorgestrel intrauterine contraceptive system over 5 years of use. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2017;210:22-28. DOI 10.1016/j.ejogrb.2016.11.022. PMID 27930941
  3. Creinin MD, Schreiber CA, Turok DK, Cwiak C, Chen BA, Olariu AI. Levonorgestrel 52 mg intrauterine system efficacy and safety through 8 years of use. Am J Obstet Gynecol. 2022;227(6):871.e1-871.e7. DOI 10.1016/j.ajog.2022.05.022. PMID 35569516
  4. Bofill Rodriguez M, Lethaby A, Jordan V. Progestogen-releasing intrauterine systems for heavy menstrual bleeding. Cochrane Database Syst Rev. 2020;6(6):CD002126. DOI 10.1002/14651858.CD002126.pub4. PMID 32529637
  5. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al.; ESHRE Endometriosis Guideline Group. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. DOI 10.1093/hropen/hoac009. PMID 35350465
  6. Brasil. Ministério da Saúde. Conitec. Relatório de Recomendação nº 1002: Dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel para pacientes com endometriose com contraindicação ou não adesão aos contraceptivos orais combinados (COCs). Brasília: Ministério da Saúde; maio de 2025. gov.br/conitec
  7. Nguyen AT, Curtis KM, Tepper NK, Kortsmit K, Brittain AW, Snyder EM, Cohen MA, Zapata LB, Whiteman MK. U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024. MMWR Recomm Rep. 2024;73(4):1-126. DOI 10.15585/mmwr.rr7304a1. PMID 39106314
Dr. José Ricardo W. Ristow, ginecologista

Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico

Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.

Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 26 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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