A resposta
A primeira consulta de menopausa é, principalmente, uma conversa. Quero entender o que está incomodando você, em que fase da transição você está, qual é o seu histórico de saúde e o que você espera. Depois vem o exame físico. Os exames de laboratório e de imagem entram quando têm um motivo, e não como um pacote igual para todas.
Muita gente se surpreende: depois dos 45 anos, com sintomas típicos, não é preciso exame de hormônio para saber que você está na menopausa ou perto dela. A diretriz britânica sobre o tema recomenda fazer esse diagnóstico pela conversa.
O que eu pergunto
- Sua menstruação: quando foi a última, se o ciclo mudou, se você usa anticoncepcional.
- Seus sintomas: fogachos, suor à noite, sono, humor, dores no corpo, ressecamento vaginal, dor na relação, bexiga.
- Seu histórico e o da família: câncer de mama, trombose, infarto, AVC, doenças do fígado, sangramento sem explicação. Algumas dessas situações impedem o uso de hormônio, e por isso pergunto com cuidado.
- O que você quer: tratar sintomas, entender a fase ou cuidar da prevenção.
Pressão alta e diabetes controlados não impedem, por si só, o tratamento hormonal.
O que eu examino
Meço a pressão e faço o exame ginecológico e o das mamas. É comum aparecerem no exame sinais de ressecamento vaginal que a mulher nem tinha comentado, e eles têm tratamento.
Quais exames eu peço
| Exame | Quando |
|---|---|
| Hormônios (FSH e outros) | Em geral não, depois dos 45 anos; podem ajudar entre 40 e 45 e são necessários antes dos 40 |
| Mamografia | A partir dos 40 anos, conforme o calendário que combinarmos |
| Preventivo (teste de HPV) | Dos 25 aos 64 anos, a cada 5 anos se o resultado for negativo |
| Densitometria óssea | A partir dos 65 anos, ou antes se houver risco aumentado de fratura |
| Colesterol, glicemia e outros | Conforme a avaliação individual do seu risco cardiovascular |
| Ultrassom transvaginal | Quando há sangramento ou outra queixa |
Sobre a mamografia, existem duas recomendações: as sociedades brasileiras indicam o exame todo ano dos 40 aos 74 anos, e a força-tarefa americana, a cada dois anos na mesma faixa. Eu explico as duas e decidimos juntos.
Sobre o preventivo, as diretrizes brasileiras de 2025 passaram a usar o teste de HPV como exame principal. Quem tirou o útero inteiro por um problema benigno, e tinha exames anteriores normais, pode deixar de fazer.
Ultrassom não é exame de rotina para quem não tem sangramento. Mas sangramento depois da menopausa sempre precisa ser avaliado.
E o tratamento?
Se os sintomas pesam e não há impedimento, já conversamos sobre as opções na primeira consulta, com e sem hormônio. Se falta alguma informação importante, como uma mamografia atrasada ou um sangramento a esclarecer, prefiro resolver isso antes.
O que levar
- Datas das últimas menstruações
- Lista de sintomas e desde quando
- Remédios e suplementos em uso
- Mamografia, preventivo e densitometria anteriores
- Histórico da família (câncer, trombose, infarto, osteoporose)
- Suas perguntas, anotadas
Perguntas rápidas
Preciso fazer exame de sangue antes? Não. Se já tiver exames recentes, traga.
Vou sair com receita de hormônio? Só se houver indicação, se não houver impedimento e se for a sua escolha.
Com que idade devo procurar? Quando o ciclo mudar ou os sintomas aparecerem. Antes dos 40, se a menstruação parar, procure logo.
Se quiser marcar essa primeira conversa, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.
Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.
A resposta curta
A primeira consulta de menopausa é, antes de tudo, uma conversa longa. Eu quero entender o que está incomodando, em que fase você está, quais são os seus riscos e o que você espera do tratamento. O exame físico vem em seguida, e os exames de laboratório e de imagem entram por indicação, não por pacote.
Isso costuma surpreender quem chega esperando um pedido extenso de hormônios. A diretriz NG23 do NICE, o órgão britânico que avalia evidência em saúde, orienta identificar a perimenopausa e a menopausa sem exame de laboratório em mulheres saudáveis com 45 anos ou mais e sintomas compatíveis. O que de fato muda a conduta nessa fase são o histórico, a pressão, o rastreamento de câncer na idade certa e a avaliação do osso quando indicada.
O que eu pergunto na primeira consulta?
A conversa tem quatro blocos. Cada um responde a uma decisão.
1. Em que fase você está. Datas das últimas menstruações, se o ciclo mudou, se usa anticoncepcional ou DIU hormonal. Com isso eu situo você na transição ou na pós-menopausa, como explico em como saber se já entrei na menopausa.
2. O que está incomodando, e quanto. Fogachos e suor noturno, sono, humor, dores nas articulações e nos músculos, ressecamento vaginal, dor na relação, sintomas urinários. O NICE lista entre os sintomas possíveis da fase os fogachos e o suor, os sintomas geniturinários, as alterações de humor, as dores articulares e musculares e as dificuldades sexuais. Pergunto também sobre ressecamento e dor na relação mesmo quando a queixa principal é outra, porque muitas mulheres não trazem esse assunto.
3. Seu histórico pessoal e familiar. É o que define o que pode e o que não pode ser usado. O protocolo de terapia hormonal da FEBRASGO, de 2026, lista as contraindicações:
| Situação no histórico | Por que pergunto |
|---|---|
| Câncer de mama ou lesão precursora | Contraindica terapia hormonal |
| Trombose, embolia ou trombofilia hereditária | Contraindica terapia hormonal |
| Infarto, doença coronariana ou AVC | Contraindica terapia hormonal |
| Sangramento vaginal sem causa esclarecida | Precisa ser investigado antes |
| Doença do fígado descompensada | Contraindica terapia hormonal |
| Alguns cânceres de endométrio e de ovário | Contraindicam terapia hormonal |
| Lúpus com alto risco de trombose | Contraindica terapia hormonal |
| Meningioma | Contraindica o progestagênio |
O mesmo protocolo registra que pressão alta controlada e diabetes controlado não contraindicam a terapia hormonal. Ou seja, ter uma dessas condições sob controle não exclui o tratamento.
4. O que você quer. Há quem queira tratar sintomas, há quem queira só entender a fase e cuidar da prevenção. As duas coisas são legítimas.
O que eu examino?
Meço a pressão e faço o exame ginecológico completo, com atenção à vulva e à vagina. Muitas vezes é no exame que aparecem sinais da síndrome geniturinária da menopausa, o quadro de ressecamento, ardor e dor na relação que tem tratamento próprio; escrevi sobre ele em dor na relação e ressecamento na menopausa. O exame das mamas também faz parte.
Quais exames eu peço, e quando?
Esta é a parte em que mais divirjo do “check-up da menopausa” que circula por aí. Exame sem indicação gera resultado sem significado, e resultado sem significado gera novos exames. Eu peço o que muda alguma decisão.
| Exame | Quando faz sentido | Em que me baseio |
|---|---|---|
| FSH, estradiol, antimülleriano | Depois dos 45 com sintomas típicos, em geral não; o FSH pode ajudar entre 40 e 45, e é necessário antes dos 40 | NICE NG23 |
| Mamografia | Rastreamento a partir dos 40 anos | CBR, SBM e FEBRASGO (2023); USPSTF (2024) |
| Preventivo (teste de DNA-HPV ou citologia) | Dos 25 aos 64 anos, conforme o calendário de rastreamento | Diretrizes do INCA, Ministério da Saúde (2025) |
| Densitometria óssea | A partir dos 65 anos, e antes disso na pós-menopausa com risco aumentado de fratura | USPSTF (2025) |
| Colesterol, glicemia e outros | Conforme a avaliação individual do seu risco cardiovascular | Avaliação individual do risco cardiovascular |
| Ultrassom transvaginal | Quando há sangramento ou outra queixa que o justifique | Diretriz canadense SOGC nº 451 (2024) |
Mamografia. As recomendações conjuntas do Colégio Brasileiro de Radiologia, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da FEBRASGO, publicadas por Urban e colaboradores em 2023, indicam mamografia anual para mulheres de risco habitual dos 40 aos 74 anos; acima dos 75, quando a expectativa de vida passa de sete anos. A força-tarefa americana USPSTF, em 2024, também passou a recomendar o início aos 40, mas com intervalo de dois anos. A diferença é o intervalo, e eu explico as duas para você decidir junto comigo. Quem tem risco maior que o habitual segue outro calendário.
Preventivo. As diretrizes brasileiras de 2025 do INCA, do Ministério da Saúde, trocaram o modelo de rastreamento: o teste de DNA-HPV passa a ser o exame principal, a partir dos 25 anos, repetido a cada cinco anos quando o resultado é negativo. O rastreamento pode ser encerrado quando o último teste depois dos 60 anos vem negativo. Quem fez histerectomia total por doença benigna, sem lesão de alto grau no colo e com exames anteriores normais, pode sair do rastreamento.
Osso. A recomendação de 2025 da USPSTF indica rastrear osteoporose em todas as mulheres a partir dos 65 anos e, antes disso, nas que já estão na pós-menopausa e têm risco aumentado de fratura na avaliação clínica. O NICE pede que a saúde óssea entre na conversa em todas as consultas dessa fase, junto com a orientação sobre manter massa e força muscular com atividade física.
Ultrassom transvaginal. Não é exame de rotina em quem não tem sangramento nem queixa. A diretriz canadense de 2024 sobre espessamento do endométrio sem sangramento (Wolfman e colaboradores) foi escrita justamente para reduzir procedimentos invasivos desnecessários disparados por esse achado. Sangramento depois da menopausa é outra história, e sempre pede avaliação, como explico em sangrei uma vez depois da menopausa.
E o tratamento, já sai da primeira consulta?
Às vezes sim, às vezes não. Se os sintomas pesam e não há contraindicação, discutimos as opções já na primeira consulta. O posicionamento de 2022 da The Menopause Society (na época, North American Menopause Society) considera a relação entre benefício e risco da terapia hormonal favorável para mulheres com menos de 60 anos ou com menos de dez anos de menopausa, sem contraindicações. A FEBRASGO usa a mesma janela e acrescenta que a decisão é individual, pesando idade, tempo de pós-menopausa e risco de trombose, de doença cardiovascular e de câncer de mama. Os detalhes de vias, doses e quem pode usar estão em terapia hormonal da menopausa.
Quando falta alguma informação para decidir com segurança (uma mamografia atrasada, um sangramento a esclarecer), eu prefiro resolver isso primeiro. O NICE também recomenda que a contracepção entre na conversa enquanto ainda houver menstruação.
O que levar para a consulta
- As datas das últimas menstruações, ou o aplicativo de ciclo
- Uma lista dos sintomas: quais, desde quando, com que frequência
- Todos os remédios e suplementos em uso, com as doses
- Mamografia, preventivo e densitometria anteriores, com as datas
- Exames de sangue recentes, se tiver (não precisa fazer novos antes)
- Histórico da família: câncer de mama, ovário ou intestino, trombose, infarto, osteoporose
- Cirurgias anteriores, em especial no útero e nos ovários
- As perguntas que você quer fazer, anotadas
Perguntas que vale fazer ao seu médico
- Em que fase da transição eu estou?
- Meus sintomas pedem tratamento, ou dá para acompanhar?
- Tenho alguma contraindicação à terapia hormonal? Qual?
- Quais exames de rastreamento estão em dia e quais estão atrasados?
- Preciso de densitometria agora?
- Quando devo voltar?
Perguntas frequentes
Preciso levar exame de hormônio pronto? Não. Depois dos 45, com sintomas típicos, o NICE orienta não depender desses exames. Se você já tiver, traga, mas não precisa colher antes.
A consulta de menopausa substitui a consulta ginecológica de rotina? Ela inclui a rotina: rastreamento de mama e de colo do útero, exame ginecológico e prevenção.
Com que idade devo procurar? Quando os sintomas aparecerem ou o ciclo mudar, o que costuma acontecer a partir dos 40 e poucos anos. Antes dos 40, parada da menstruação pede avaliação logo.
Vou sair com receita de hormônio? Só se houver indicação, ausência de contraindicação e for a sua escolha. Há também tratamentos sem hormônio.
Preciso fazer ultrassom todo ano? Não como rotina, se não houver sangramento ou queixa. O ultrassom entra quando há indicação.
Com que frequência volto? Depende do plano. Quando começamos um tratamento, o NICE orienta uma revisão aos 3 meses, para ver como você respondeu, e depois uma vez por ano.
Se quiser marcar essa primeira conversa, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.
Referências
- The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society Advisory Panel. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794. DOI 10.1097/GME.0000000000002028 · PMID 35797481
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Terapêutica hormonal: benefícios, riscos e regimes terapêuticos. Femina. 2026;54(1):36-42. DOI 10.61622/0100-7254531202606
- National Institute for Health and Care Excellence. Menopause: identification and management (NG23). Publicada em 12/11/2015, última atualização em 15/04/2026. nice.org.uk/guidance/ng23
- Urban LABD, Chala LF, Paula IB, Bauab SP, Schaefer MB, Oliveira ALK, et al. Recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Sociedade Brasileira de Mastologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia para o rastreamento do câncer de mama no Brasil. Radiol Bras. 2023;56(4):207-214. DOI 10.1590/0100-3984.2023.0064
- US Preventive Services Task Force. Screening for Breast Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2024;331(22):1918-1930. DOI 10.1001/jama.2024.5534 · PMID 38687503
- Ministério da Saúde; INCA. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. 3ª ed. rev., ampl. e atual. Volume 1: Rastreamento organizado com teste molecular para detecção de DNA-HPV oncogênico. Rio de Janeiro: INCA; 2025. ISBN 978-65-88517-55-0. ninho.inca.gov.br
- US Preventive Services Task Force. Screening for Osteoporosis to Prevent Fractures: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2025;333(6):498-508. DOI 10.1001/jama.2024.27154 · PMID 39808425
- Wolfman W, Bougie O, Chen I, Tang Y, Goldstein S, Bouteaud J. Guideline No. 451: Asymptomatic Endometrial Thickening in Postmenopausal Women. J Obstet Gynaecol Can. 2024;46(7):102591. DOI 10.1016/j.jogc.2024.102591 · PMID 38901794

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico
Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.
Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 7 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.
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