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Ristow Ginecologia e Obstetrícia · Dr. José Ricardo Ristow
Menopausa

Menstruação desregulou aos 40: é perimenopausa? Preciso dosar o FSH?

Ciclo desregulado depois dos 40 pode ser perimenopausa. Explico como o diagnóstico é feito, quando o FSH ajuda e qual sangramento precisa de investigação.

Dr. José Ricardo W. Ristow

Escrito e revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593

Publicado em
11 min de leitura

A resposta

Pode ser perimenopausa, sim. É a fase de transição antes da última menstruação, e o primeiro sinal costuma ser justamente o ciclo que muda: adianta, atrasa e, mais tarde, começa a falhar.

E, na maioria das vezes, não é preciso exame de hormônio para saber. Depois dos 45 anos, se o ciclo mudou e apareceram sintomas como fogachos, a diretriz britânica sobre menopausa recomenda fazer o diagnóstico pela conversa.

Por que o FSH costuma não ajudar?

Porque, nessa fase, os hormônios sobem e descem de um mês para o outro. Um FSH normal hoje não quer dizer que você não esteja na transição. Um FSH alto num mês também não fecha o diagnóstico.

Sua idade O FSH ajuda?
45 anos ou mais, com sintomas Não é necessário
Entre 40 e 45 anos Pode ajudar a confirmar
Menos de 40 anos Sim, faz parte da investigação
Usando pílula, adesivo ou anel com dois hormônios Não, o remédio altera o resultado

Antes dos 40, parar de menstruar não é o esperado. Pode ser insuficiência ovariana prematura, que uma diretriz europeia de 2024 estima em 3,5% das mulheres, e precisa de avaliação.

O que conta como ciclo “desregulado”?

O que observar Normal Fora do normal
Intervalo entre as menstruações De 24 a 38 dias Menos de 24 ou mais de 38
Dias de sangramento Até 8 Mais de 8
Diferença entre o ciclo mais curto e o mais longo Até 7 a 9 dias Maior que isso

Na perimenopausa, o primeiro sinal é uma diferença de 7 dias ou mais entre um ciclo e o seguinte, que se repete. Depois vêm intervalos de 60 dias ou mais sem menstruar.

Quais exames eu costumo pedir?

Não uma lista de hormônios. Sigo o protocolo da FEBRASGO:

  • teste de gravidez, quando há atraso ou sangramento diferente;
  • hemograma, se o fluxo aumentou;
  • ultrassom transvaginal, se o sangramento mudou de padrão;
  • prolactina e tireoide, porque também desregulam o ciclo.

Quando não dá para esperar

Alguns sangramentos precisam de investigação, e não só de paciência:

  • sangramento muito forte ou que causa anemia;
  • sangramento entre as menstruações ou depois da relação;
  • menstruação com intervalo menor que 24 dias;
  • sangramento que dura mais de 8 dias;
  • qualquer sangramento depois de um ano sem menstruar.

Depois dos 45 anos, ou com fatores como obesidade, diabetes e pressão alta, a avaliação do endométrio (a camada de dentro do útero) ganha mais importância.

O que levar para a consulta

  • As datas das últimas seis menstruações, ou o aplicativo de ciclo
  • Quantos dias dura o sangramento e se o fluxo aumentou
  • Sintomas novos, como fogachos, suor à noite e sono pior
  • Remédios e anticoncepcionais em uso
  • Exames que você já tenha feito, inclusive os de hormônio

Anotar o ciclo mês a mês costuma dizer mais do que um exame de sangue isolado.

Perguntas rápidas

Ainda posso engravidar? Enquanto houver menstruação, mesmo irregular, a gravidez é possível. A contracepção entra na conversa.

Quanto tempo dura essa fase? Varia de mulher para mulher. Só a parte final da transição dura, em média, de um a três anos.

Meu FSH veio normal, mas tenho fogachos. Pode ser perimenopausa mesmo assim. O exame oscila muito nessa fase.

Meu FSH veio alto. Já estou na menopausa? Não só por isso. A menopausa é confirmada depois de doze meses sem menstruar, e nessa fase o FSH sobe e desce de um mês para o outro.

Tenho 38 anos e a menstruação parou. O que faço? Procure avaliação. Antes dos 40 a suspeita é de insuficiência ovariana prematura, e aí o exame de sangue é necessário para confirmar.

Se o seu ciclo mudou e você quer entender em que fase está, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Quer o detalhe? O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes.
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Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.

A resposta curta

Pode ser, e na maioria das vezes o diagnóstico é feito sem exame de hormônio. Depois dos 40, um ciclo que começa a variar de duração é o sinal mais comum da perimenopausa, a fase de transição que antecede a última menstruação. Depois dos 45 anos, com sintomas compatíveis, a diretriz NG23 do NICE, o órgão britânico que avalia evidência em saúde, orienta identificar a perimenopausa sem exame de laboratório. Entre 40 e 45, o FSH pode ajudar a confirmar. Antes dos 40, ele é necessário.

O que nunca deve ficar para depois, em qualquer idade, é o sangramento que foge do padrão de “ciclo bagunçado”: sangrar muito, sangrar entre as menstruações ou depois da relação. Esse tipo de sangramento pede investigação própria, e explico abaixo como separo uma coisa da outra.

O que é “ciclo desregulado” para o médico?

A FEBRASGO, no protocolo de sangramento uterino anormal de 2026, usa os parâmetros da FIGO, a federação internacional de ginecologia. Um ciclo normal vem a cada 24 a 38 dias, o sangramento dura até 8 dias, e a diferença entre o ciclo mais curto e o mais longo fica em até 7 a 9 dias. Intervalo menor que 24 dias é ciclo frequente; maior que 38, infrequente; sangramento de mais de 8 dias é prolongado.

Na perimenopausa, o sistema STRAW+10, publicado por Harlow e colaboradores em 2012, define as etapas pelo próprio ciclo:

Etapa (STRAW+10) O que acontece com o ciclo O que costuma acompanhar
Fase reprodutiva tardia Ciclos ainda regulares, às vezes um pouco mais curtos Poucos sintomas
Transição inicial Diferença persistente de 7 dias ou mais entre ciclos seguidos Ciclos que adiantam e atrasam
Transição tardia Intervalos de 60 dias ou mais sem menstruar Fogachos mais frequentes; dura em média 1 a 3 anos
Pós-menopausa Doze meses sem menstruar confirmam a última menstruação Sintomas podem continuar

“Persistente”, no STRAW+10, quer dizer que a variação volta a aparecer em até dez ciclos depois da primeira. Um ciclo estranho isolado, depois de uma viagem ou de um mês difícil, não basta.

Por que o ciclo muda nessa fase?

A reserva de folículos do ovário diminui com a idade, e o eixo que comanda o ciclo passa a trabalhar de forma irregular. O STRAW+10 descreve que, já na transição inicial, o hormônio antimülleriano e a contagem de folículos estão baixos, enquanto o FSH do início do ciclo sobe, mas de forma variável. Na transição tardia, os ciclos sem ovulação ficam mais frequentes e as oscilações hormonais se tornam extremas.

Na prática, isso explica duas queixas que ouço muito no consultório nessa idade. A primeira é o ciclo que encurta e depois alonga, sem padrão. A segunda é a menstruação que, num mês, vem escassa e, no outro, vem volumosa. Nenhuma delas, sozinha, prova que é a transição, mas o conjunto, na idade certa, aponta para ela.

Por que dosar FSH costuma não ajudar?

Porque, na transição, o ovário oscila. O STRAW+10 descreve que na transição tardia o FSH às vezes sobe até a faixa da menopausa e às vezes volta à faixa dos anos reprodutivos, com flutuações extremas. Um exame colhido num dia diz pouco sobre o mês seguinte.

Por isso o NICE é direto:

  • 45 anos ou mais, com sintomas: perimenopausa identificada pelos sintomas recentes (como fogachos) somados à mudança do ciclo, sem exame.
  • Depois dos 45, não usar hormônio antimülleriano, inibina, estradiol, contagem de folículos nem volume do ovário para esse fim.
  • Entre 40 e 45 anos, com sintomas e mudança do ciclo: o FSH pode ser considerado para confirmar.
  • Abaixo de 40, com suspeita de menopausa: o FSH entra na investigação.
  • Em uso de pílula, adesivo ou anel com estrogênio e progestagênio, ou de progestagênio em dose alta: não usar o FSH, porque o remédio altera o resultado.

No consultório, é comum eu receber exames de FSH, estradiol e hormônio antimülleriano pedidos “para ver se já é menopausa”. Eu explico que um valor normal não exclui a transição e que um valor alto isolado não fecha o diagnóstico. A história do ciclo, anotada mês a mês, costuma dizer mais que o laboratório. Detalho as idades e as definições em como saber se já entrei na menopausa.

E antes dos 40?

Aí a conduta muda. Menopausa antes dos 40 é chamada de insuficiência ovariana prematura, e a diretriz da ESHRE de 2024 (Panay e colaboradores) estima que ela ocorra em 3,5% das mulheres. As diretrizes divergem no exame: o NICE pede FSH elevado em duas dosagens, com quatro a seis semanas de intervalo; a ESHRE aceita um único FSH acima de 25 UI/L e reserva a repetição para a dúvida. Em qualquer das duas, a investigação vale a pena, porque a falta precoce de estrogênio tem efeito sobre osso e coração e pede acompanhamento mais próximo.

Quais exames eu peço quando o ciclo desregula?

Ciclo irregular depois dos 40 não é sinônimo de perimenopausa. O protocolo da FEBRASGO lista o que investigar, e eu sigo essa lógica:

Exame Para quê Quando
Beta-hCG Afastar gravidez Sempre que há atraso ou sangramento diferente
Hemograma Ver se o sangramento causou anemia Quando o fluxo aumentou
Ultrassom transvaginal Procurar causa estrutural (pólipo, mioma, adenomiose, espessamento do endométrio) Quando o sangramento mudou de padrão
Prolactina e função da tireoide Afastar outras causas de falha da ovulação Na irregularidade do ciclo
Biópsia do endométrio ou histeroscopia Avaliar o endométrio Conforme o ultrassom, a idade e os fatores de risco

A própria FEBRASGO registra que outras dosagens hormonais só se justificam em casos isolados. Ou seja, a investigação do ciclo irregular gira em torno de gravidez, estrutura do útero e causas de falta de ovulação, e não de uma lista de hormônios.

Qual sangramento precisa de investigação, e não só de paciência?

Na transição, faltam ovulações. Sem ovulação, o endométrio fica exposto ao estrogênio sem a contrapartida da progesterona, e o sangramento pode ficar irregular e abundante. Na maior parte das vezes, isso é a própria transição. Mas a FEBRASGO lembra que o risco de doença do endométrio aumenta com a idade e com fatores como obesidade, hipertensão, diabetes, nunca ter tido filhos e anovulação crônica, e indica a biópsia endometrial especialmente acima dos 45 anos ou quando esses fatores existem, além dos casos de sangramento persistente e sem resposta ao tratamento.

Os sinais que me fazem investigar, em vez de esperar:

  • sangramento muito volumoso ou que causa anemia;
  • sangramento entre as menstruações ou depois da relação;
  • ciclos frequentes, com intervalo menor que 24 dias;
  • sangramento prolongado, por mais de 8 dias;
  • qualquer sangramento depois de doze meses sem menstruar.

Os sistemas da FIGO, revisados por Munro e colaboradores em 2018, organizam as causas pelo acrônimo PALM-COEIN, que separa causas estruturais (pólipo, adenomiose, mioma, lesão maligna ou pré-maligna) das não estruturais, como os distúrbios de ovulação. Escrevi sobre o escape fora de época em escape entre as menstruações e sobre o sangramento depois da menopausa em sangrei uma vez depois da menopausa.

Ainda preciso de anticoncepcional?

Enquanto houver menstruação, mesmo irregular, a ovulação pode acontecer. O NICE orienta que a contracepção faça parte da conversa com toda mulher que tem sintomas da menopausa. Quando a mulher usa método hormonal, o ciclo e o FSH deixam de servir como marcadores, e a decisão sobre quando parar o método é tomada em consulta, olhando idade e sintomas.

O que levar para a consulta

  • As datas das últimas seis menstruações, ou o aplicativo de ciclo
  • Quantos dias dura o sangramento e se houve aumento do fluxo
  • Sintomas novos: fogachos, suor noturno, sono pior, alteração de humor
  • Remédios e métodos anticoncepcionais em uso
  • Exames recentes, inclusive os de hormônio que você já tenha feito
  • Idade em que sua mãe entrou na menopausa, se souber

Perguntas frequentes

Meu FSH veio normal. Então não é perimenopausa? Não necessariamente. Na transição o FSH oscila, e um resultado normal num mês não exclui a fase.

Meu FSH veio alto. Já estou na menopausa? Não só por isso. A menopausa é confirmada por doze meses sem menstruar, e na transição o FSH sobe e desce.

Quanto tempo dura a perimenopausa? Varia. Pelo STRAW+10, só a transição tardia dura em média de um a três anos; a inicial tem duração variável.

Posso engravidar na perimenopausa? Enquanto houver ciclos, a ovulação pode ocorrer. Por isso a contracepção entra na conversa.

Sangrar mais forte aos 45 é normal? Pode acontecer na transição, mas sangramento volumoso, com anemia ou fora do padrão, pede avaliação do útero e do endométrio.

Tenho 38 anos e a menstruação parou. O que faço? Procure avaliação. Antes dos 40 a suspeita é de insuficiência ovariana prematura, e o diagnóstico precisa de exame.

Se o seu ciclo mudou e você quer entender o que está acontecendo, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477 e conversamos com calma.

Referências

  1. Harlow SD, Gass M, Hall JE, Lobo R, Maki P, Rebar RW, et al. Executive summary of the Stages of Reproductive Aging Workshop + 10: addressing the unfinished agenda of staging reproductive aging. Menopause. 2012;19(4):387-395. DOI 10.1097/gme.0b013e31824d8f40 · PMID 22343510
  2. National Institute for Health and Care Excellence. Menopause: identification and management (NG23). Publicada em 12/11/2015, última atualização em 15/04/2026. nice.org.uk/guidance/ng23
  3. Panay N, Anderson RA, Bennie A, Cedars M, Davies M, Ee C, et al. Evidence-based guideline: premature ovarian insufficiency. Hum Reprod Open. 2024;2024(4):hoae065. DOI 10.1093/hropen/hoae065 · PMID 39660328
  4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Sangramento uterino anormal. Femina. 2026;54(3):227-235. DOI 10.61622/0100-7254543202609
  5. Munro MG, Critchley HOD, Fraser IS. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding symptoms and classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years: 2018 revisions. Int J Gynaecol Obstet. 2018;143(3):393-408. DOI 10.1002/ijgo.12666 · PMID 30198563
Dr. José Ricardo W. Ristow, ginecologista

Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico

Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.

Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 5 de novembro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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