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Ristow Ginecologia e Obstetrícia · Dr. José Ricardo Ristow
Menopausa

Sintomas da menopausa no trabalho: o que ajuda de verdade?

Fogacho em reunião, noite mal dormida, falta de concentração. O que os estudos dizem sobre menopausa e trabalho e quais tratamentos têm evidência de ajuda.

Dr. José Ricardo W. Ristow

Escrito e revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593

Publicado em
Revisado em · 11 min de leitura

A resposta

Sim, os sintomas da menopausa podem atrapalhar o trabalho, e isso foi medido em estudos. E sim, há tratamentos que ajudam. Não é falta de força de vontade.

No consultório, a queixa raramente começa pela palavra “menopausa”. Começa com “não durmo mais”, “suei no meio da reunião” ou “a palavra some na hora de falar”.

O que os estudos mostram

Um estudo americano de 2023, com 4.440 mulheres de 45 a 60 anos que trabalhavam, mostrou:

  • cerca de 13 em cada 100 tiveram algum prejuízo no trabalho por causa dos sintomas;
  • cerca de 11 em cada 100 faltaram ao trabalho no último ano por esse motivo;
  • quem tinha os sintomas mais fortes teve chance muito maior de prejuízo.

Um estudo inglês menor, de 2018, trouxe outro lado: o que mais pesou no rendimento foi o ambiente de trabalho, como estresse e falta de apoio. Mas ter fogachos que incomodam no trabalho se associou à vontade de parar de trabalhar.

Ou seja: o problema está nos sintomas fortes somados a um ambiente difícil.

Os sintomas que mais atrapalham

Sintoma Como aparece no trabalho
Fogacho Calor de repente, rosto vermelho, suor
Suor à noite Acordar várias vezes e chegar cansada
Concentração Perder o fio da conversa, esquecer palavras
Humor Menos paciência, ansiedade
Bexiga Urgência para ir ao banheiro

O fogacho atinge cerca de 7 em cada 10 mulheres brasileiras nessa fase, e em metade das mulheres dura mais de 7 anos.

O que tem evidência de ajudar

Terapia hormonal. É o tratamento mais eficaz para o fogacho. Os estudos mostram redução de cerca de 75% na frequência dos fogachos em comparação com placebo. Não é para todas, e a avaliação é individual.

Terapia cognitivo-comportamental para menopausa. Um estudo inglês deu a mulheres que trabalhavam um livreto de autoajuda baseado nessa terapia. Em 6 semanas, elas já se incomodavam menos com os fogachos, dormiam melhor e, depois de alguns meses, relataram menos dificuldade para render no trabalho. A diretriz britânica passou a recomendar essa opção em 2024.

Remédios sem hormônio. Alguns antidepressivos, a gabapentina e remédios de uma classe nova têm evidência para reduzir o fogacho. Um desses remédios novos também melhorou o sono nos estudos. A escolha depende de cada caso.

O que não se confirmou para fogacho: suplementos, fitoterápicos, soja, exercícios de respiração, ioga e técnicas de resfriamento. Exercício faz bem para a saúde, mas não resolve o fogacho forte.

No dia a dia do trabalho

Algumas medidas não tratam o sintoma, mas deixam o dia mais confortável:

  • roupas em camadas;
  • água fresca por perto e lugar ventilado;
  • poder sair alguns minutos quando o calor vem;
  • alguém no trabalho com quem dê para conversar.

Falar ou não com a empresa é escolha sua. O meu papel é tratar o que dá para tratar.

Perguntas rápidas

Não quero hormônio. Tenho saída? Tem. Terapia cognitivo-comportamental e alguns remédios sem hormônio funcionam para muitas mulheres.

Esquecer palavras é grave? Na transição é queixa comum, muitas vezes ligada ao sono ruim. Se piorar ou não passar, eu investigo outras causas.

Quanto tempo para melhorar? No estudo com o livreto, a melhora apareceu em 6 semanas. Com remédios, depende do tratamento.

Se os sintomas estão pesando no seu trabalho, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477 e montamos um plano juntos.

Quer o detalhe? O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes.
Versão completa

Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.

A pergunta por trás da pergunta

Quando uma mulher me conta que está rendendo menos no trabalho, quase nunca começa falando de menopausa. Ela fala de uma noite inteira acordando molhada de suor, de um fogacho no meio de uma apresentação, de uma palavra que sumiu na hora de responder ao chefe. A menopausa entra na conversa depois, quase como uma suspeita.

A resposta direta é esta: os sintomas da transição podem atrapalhar o trabalho, isso está medido, e há tratamentos com evidência de que ajudam. O que não funciona é tratar o problema como falta de força de vontade.

O que os estudos mostram sobre menopausa e trabalho?

O maior estudo recente sobre o tema foi publicado por Faubion e colaboradores na Mayo Clinic Proceedings, em 2023. Foram 4.440 mulheres de 45 a 60 anos, todas empregadas e atendidas na rede da Mayo Clinic nos Estados Unidos.

Achado Número
Relataram ao menos um prejuízo no trabalho por causa dos sintomas 13,4%
Faltaram ao trabalho por causa dos sintomas no último ano 10,8%
Mediana de dias perdidos entre as que faltaram 3 dias
Chance de prejuízo no grupo com sintomas mais intensos, comparado ao de sintomas mais leves 15,6 vezes maior

O último número é o que mais me interessa. Ele mostra que o problema se concentra em quem tem sintomas fortes, e é exatamente esse grupo que tem mais a ganhar com tratamento.

Há um contraponto que considero honesto trazer. Um estudo britânico menor, de Hardy e colaboradores, publicado em 2018 com 216 mulheres de 45 a 60 anos, não encontrou relação entre estar na menopausa e faltar ou render menos. O que pesou foi o ambiente: estresse no trabalho, clareza do papel, controle sobre as tarefas e apoio. Ter fogachos que incomodam no trabalho, porém, se associou à intenção de parar de trabalhar.

Juntando os dois: não é a menopausa em si que derruba o desempenho. São os sintomas intensos, somados a um ambiente que não ajuda.

Estresse e fogacho se alimentam?

Os dados apontam nessa direção. No estudo SWAN, analisado por Avis e colaboradores em 2015, as mulheres que relatavam mais estresse percebido, mais sensibilidade aos sintomas e mais ansiedade ou sintomas depressivos quando os fogachos começaram tiveram fogachos por mais tempo. Esse é um estudo observacional, e ele não prova que o estresse cause o fogacho prolongado. Mas ajuda a entender por que o tratamento que funciona no trabalho costuma ter duas frentes: o sintoma físico e a forma como ele é vivido no dia a dia, que é justamente o alvo da terapia cognitivo-comportamental descrita mais adiante.

Quais sintomas mais atrapalham o dia de trabalho?

Sintoma Como aparece no trabalho Por onde começo
Fogachos Calor súbito, rosto vermelho, suor em reunião Avaliar tratamento hormonal ou não hormonal
Suor noturno e sono fragmentado Cansaço, menos paciência, erros por desatenção Tratar o fogacho noturno costuma melhorar o sono
Dificuldade de concentração e memória Esquecer palavras, perder o fio do raciocínio Melhorar o sono e afastar outras causas, como tireoide e anemia
Humor Irritabilidade, ansiedade, desânimo Avaliar se há depressão, que tem tratamento próprio
Sintomas urinários Urgência, idas frequentes ao banheiro Tratamento local costuma ajudar

Os fogachos são o ponto de partida em boa parte dos casos. O Protocolo FEBRASGO de Terapêutica Hormonal, de 2026, registra que eles atingem cerca de 70% das mulheres brasileiras na peri e na pós-menopausa. E não são breves: no estudo SWAN, analisado por Avis e colaboradores em 2015, a duração mediana dos fogachos frequentes foi de 7,4 anos.

O que tem evidência de ajudar?

Terapia hormonal

É o tratamento mais eficaz para fogachos, segundo o posicionamento de 2022 da The Menopause Society e o Protocolo FEBRASGO de 2026. O protocolo brasileiro cita revisão da Cochrane com 24 ensaios clínicos que mostrou redução de 75% na frequência dos fogachos com estrogênio, em comparação com placebo. A diretriz NG23 do NICE recomenda oferecer terapia hormonal para sintomas vasomotores.

Ela não serve para todas. Quem pode, quem não pode e as diferenças entre comprimido, gel e adesivo estão em terapia hormonal da menopausa.

Terapia cognitivo-comportamental voltada para a menopausa

Esse é o dado que mais surpreende no consultório. O ensaio MENOS@Work, de Hardy e colaboradores, publicado na revista Menopause em 2018, testou um livreto de autoajuda baseado em terapia cognitivo-comportamental, distribuído pelo setor de saúde ocupacional de oito empresas. Com 124 mulheres sorteadas entre o livreto e uma lista de espera, o grupo do livreto teve menos incômodo com fogachos e suores em 6 e em 20 semanas, menos fogachos, sono melhor e, em 20 semanas, menos prejuízo no trabalho por estar presente sem conseguir render.

A atualização de 2024 da diretriz do NICE passou a recomendar considerar essa terapia para fogachos, junto com a terapia hormonal, no lugar dela quando há contraindicação ou por preferência da mulher. O posicionamento de 2023 da The Menopause Society sobre tratamentos não hormonais também a recomenda com o nível mais alto de evidência.

Remédios não hormonais

O mesmo posicionamento de 2023 lista como recomendados alguns antidepressivos das classes ISRS e IRSN, a gabapentina e o fezolinetanto, este de uma classe nova, que bloqueia receptores de neurocinina no cérebro. A oxibutinina aparece com evidência um pouco menor. Desde 2026, a diretriz do NICE também recomenda o fezolinetanto quando a terapia hormonal não é adequada.

Dentro dessa classe nova, os ensaios OASIS 1 e 2, publicados por Pinkerton e colaboradores no JAMA em 2024, testaram o elinzanetanto e mostraram, além de menos fogachos, melhora dos distúrbios do sono e da qualidade de vida em 12 semanas. Para quem perde rendimento por noites ruins, esse desfecho importa. A disponibilidade desses remédios e a indicação para cada caso são conversa de consulta.

O que não se confirmou

A mesma revisão de 2023 não recomenda, para tratar fogachos, suplementos e fitoterápicos, produtos de soja, respiração ritmada, exercício, ioga e técnicas de resfriamento, porque a evidência não mostrou efeito consistente sobre os fogachos. Isso não quer dizer que atividade física seja inútil: ela tem valor para a saúde em geral. Quer dizer que não é ela que vai resolver o fogacho intenso.

E o ambiente de trabalho?

Neste ponto eu falo como médico, não como especialista em gestão. O estudo de Hardy e colaboradores de 2018 mostrou que estresse, falta de clareza e pouco apoio pesam mais do que a fase hormonal. Algumas medidas práticas costumam ajudar no conforto, mesmo sem tratar o sintoma:

  • roupas em camadas, que permitem tirar uma peça quando o calor vem;
  • acesso a água fresca e a um ambiente ventilado;
  • algum controle sobre o horário de reuniões longas, quando possível;
  • liberdade para levantar e sair por alguns minutos;
  • um interlocutor no trabalho com quem seja possível falar do assunto.

Se e como conversar com a empresa é decisão sua. O que eu posso fazer é tratar o que é tratável e, quando você precisar, registrar o que for necessário sobre a sua saúde.

O que levar para a consulta

  • Um diário de uma ou duas semanas: quantos fogachos por dia e por noite, e quanto incomodam
  • Como está o sono: horário, quantas vezes acorda e por quê
  • O que mais pesa no trabalho: concentração, humor, cansaço, urgência urinária
  • Remédios em uso, inclusive para pressão, ansiedade e sono
  • Histórico pessoal e familiar de trombose, câncer de mama, infarto e AVC
  • Data da última menstruação

Perguntas frequentes

Menopausa faz perder o emprego? No estudo da Mayo Clinic de 2023, a maioria das mulheres não relatou prejuízo no trabalho. O risco se concentrou nas que tinham sintomas intensos, e é esse grupo que mais se beneficia de tratamento.

Esquecer palavras é sinal de demência? Na transição, dificuldade de concentração e de memória é queixa comum e costuma estar ligada ao sono ruim e aos sintomas. Se a queixa for persistente ou piorar, eu investigo outras causas.

Não quero tomar hormônio. Tenho opção? Tem. Terapia cognitivo-comportamental e alguns remédios não hormonais têm evidência para fogachos, segundo a revisão de 2023 da The Menopause Society e a diretriz do NICE.

Suplemento natural resolve fogacho? A revisão de 2023 não recomenda suplementos e fitoterápicos para fogacho, por falta de efeito consistente nos estudos.

Quanto tempo leva para melhorar? No ensaio MENOS@Work, a melhora já aparecia em 6 semanas. Com remédios, o tempo varia conforme o tratamento, e eu combino uma reavaliação logo no início.

Isso vai durar para sempre? Os fogachos costumam diminuir com o tempo, mas a mediana no estudo SWAN foi de 7,4 anos. Por isso não faz sentido esperar em silêncio se eles atrapalham.

Se os sintomas estão pesando no seu trabalho e você quer montar um plano, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477 e conversamos sobre o seu caso.

Referências

  1. Faubion SS, Enders F, Hedges MS, Chaudhry R, Kling JM, Shufelt CL, et al. Impact of Menopause Symptoms on Women in the Workplace. Mayo Clin Proc. 2023;98(6):833-845. DOI 10.1016/j.mayocp.2023.02.025 · PMID 37115119
  2. Hardy C, Thorne E, Griffiths A, Hunter MS. Work outcomes in midlife women: the impact of menopause, work stress and working environment. Womens Midlife Health. 2018;4:3. DOI 10.1186/s40695-018-0036-z · PMID 30766713
  3. Hardy C, Griffiths A, Norton S, Hunter MS. Self-help cognitive behavior therapy for working women with problematic hot flushes and night sweats (MENOS@Work): a multicenter randomized controlled trial. Menopause. 2018;25(5):508-519. DOI 10.1097/GME.0000000000001048 · PMID 29315132
  4. National Institute for Health and Care Excellence. Menopause: identification and management (NG23). Publicada em 12/11/2015, última atualização em 15/04/2026. nice.org.uk/guidance/ng23
  5. The 2023 Nonhormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society Advisory Panel. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2023;30(6):573-590. DOI 10.1097/GME.0000000000002200 · PMID 37252752
  6. The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society Advisory Panel. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. Menopause. 2022;29(7):767-794. DOI 10.1097/GME.0000000000002028 · PMID 35797481
  7. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Terapêutica hormonal: benefícios, riscos e regimes terapêuticos. Femina. 2026;54(1):36-42. DOI 10.61622/0100-7254531202606
  8. Avis NE, Crawford SL, Greendale G, Bromberger JT, Everson-Rose SA, Gold EB, et al. Duration of menopausal vasomotor symptoms over the menopause transition. JAMA Intern Med. 2015;175(4):531-539. DOI 10.1001/jamainternmed.2014.8063 · PMID 25686030
  9. Pinkerton JV, Simon JA, Joffe H, Maki PM, Nappi RE, Panay N, et al. Elinzanetant for the Treatment of Vasomotor Symptoms Associated With Menopause: OASIS 1 and 2 Randomized Clinical Trials. JAMA. 2024;332(16):1343-1354. DOI 10.1001/jama.2024.14618 · PMID 39172446
Dr. José Ricardo W. Ristow, ginecologista

Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico

Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.

Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 22 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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