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Ristow Ginecologia e Obstetrícia · Dr. José Ricardo Ristow
Contracepção

Como escolher o anticoncepcional: as perguntas que eu faço antes de indicar

Não há anticoncepcional ideal para todas. Explico em palavras simples as perguntas que faço antes de indicar e quanto cada método funciona na vida real.

Dr. José Ricardo W. Ristow

Escrito e revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593

Publicado em
Revisado em · 11 min de leitura

Qual anticoncepcional eu devo usar?

Não existe um que sirva igualmente bem a todas. Existe o que combina com a sua saúde, com a sua rotina e com o que você quer da sua menstruação. Antes de indicar qualquer método, eu faço quatro perguntas.

1. O que você espera do método?

Você quer engravidar daqui a pouco tempo ou só daqui a alguns anos? Prefere um método sem hormônio? Quer menstruar menos? A cólica é um problema? Você se sente à vontade com um método que precisa ser colocado pelo médico? Eu coloco o DIU e o implante no consultório ou no hospital, com sedação; pelo plano de saúde, somente no hospital, com sedação. Cada resposta muda a lista de opções.

2. A sua saúde permite?

Existe uma régua internacional que diz, para cada condição de saúde, se o método pode ser usado. Ela tem quatro níveis:

Nível O que quer dizer
1 Pode usar sem restrição
2 Pode usar; os benefícios são maiores que os riscos
3 Melhor não usar, a não ser que não haja outra opção
4 Não pode usar

A pílula combinada, que tem dois hormônios, é a que mais tem restrições. Ela não deve ser usada por quem tem:

  • enxaqueca com aura, aquela que vem com alteração na visão antes da dor;
  • mais de 35 anos e fuma 15 cigarros ou mais por dia;
  • pressão muito alta e sem controle;
  • trombose ou embolia, agora ou no passado;
  • parto recente, nas primeiras semanas.

Ter uma dessas situações não deixa ninguém sem opção. Os métodos só com um hormônio e o DIU costumam continuar liberados.

3. Como é a sua rotina?

Todo método funciona de dois jeitos: quando é usado sempre certinho e quando é usado na vida real, com esquecimentos. Veja quantas mulheres em cada 100 engravidam no primeiro ano:

Método Na vida real Usado sempre certinho
Nenhum método 85 85
Camisinha masculina 18 2
Pílula 9 menos de 1
Injeção a cada 3 meses 6 menos de 1
DIU de cobre menos de 1 menos de 1
DIU hormonal menos de 1 menos de 1
Implante menos de 1 menos de 1

Repare: a pílula funciona muito bem quando ninguém esquece, mas na vida real a diferença aparece. O DIU e o implante não dependem de lembrar de nada, por isso funcionam igual nas duas colunas. Se você faz plantão, viaja muito ou costuma esquecer, isso pesa na escolha.

Um estudo grande mostrou que, com a pílula, as mulheres mais jovens engravidaram quase duas vezes mais que as mais velhas. Com DIU e implante, a idade não fez diferença.

4. Como é a sua menstruação hoje?

O método também muda o ciclo. Quem tem menstruação forte ou muita cólica costuma se dar bem com o DIU hormonal, que diminui o fluxo. Quem não quer hormônio pode usar o DIU de cobre, sabendo que ele costuma aumentar a menstruação. Eu explico a diferença entre os dois em DIU de cobre ou hormonal.

Preciso fazer exames antes?

Para começar a pílula combinada, não são necessários exames de sangue. O que não pode faltar é medir a pressão e conversar bem sobre a sua história. Para o DIU, o ultrassom ajuda a ver o formato do útero.

O que levar para a consulta

  • os métodos que você já usou e por que parou;
  • se tem enxaqueca e se ela vem com alteração na visão;
  • se fuma;
  • casos de trombose em você ou na família;
  • os remédios que você usa;
  • seus planos de gravidez.

Perguntas frequentes

Qual método falha menos? O implante e o DIU, porque não dependem de lembrar.

Tenho enxaqueca. Posso tomar pílula? Se for enxaqueca com aura, a pílula combinada não é indicada. Há outras opções.

O anticoncepcional protege contra infecção sexual? Só a camisinha protege. Ela pode ser usada junto com qualquer outro método.

Posso trocar se não me adaptar? Pode. O que não deu certo ajuda a escolher o próximo.

Se quiser conversar sobre qual método combina com você, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Quer o detalhe? O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes.
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Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.

Existe um anticoncepcional ideal para todas?

Não existe um método que sirva igualmente bem a todas as mulheres. Existe o método que combina com a sua saúde, com a sua rotina, com o que você quer da menstruação e com o tempo que você pretende ficar sem engravidar. A pergunta “qual eu devo usar?” só tem resposta depois de algumas outras perguntas, e são essas que eu faço no consultório antes de indicar qualquer coisa.

Na consulta, eu passo por quatro pontos: o que você quer do método, se a sua saúde permite cada opção, como é a sua rotina na vida real e o que acontece hoje com a sua menstruação.

Pergunta 1: o que você espera do método, e por quanto tempo?

Quem pensa em engravidar em poucos meses tem prioridades diferentes de quem não quer engravidar nos próximos anos. Também pesa se você prefere um método sem hormônio, se quer menstruar menos, se a cólica é um problema e se você se sente à vontade com um método que depende de um procedimento para ser colocado. Eu coloco o DIU e o implante no consultório ou no hospital, com sedação; pelo plano de saúde, somente no hospital, com sedação.

O objetivo das diretrizes atuais é justamente esse: o documento do CDC americano de 2024 diz que as recomendações existem para remover barreiras médicas desnecessárias e apoiar um aconselhamento centrado na pessoa, sem coerção. A decisão é sua; o meu papel é mostrar o que cada opção oferece no seu caso.

Pergunta 2: a sua saúde permite cada opção?

Essa é a pergunta de segurança, e ela tem uma régua internacional. A Organização Mundial da Saúde publica os Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos. A 5ª edição, de 2015, foi a referência por uma década, e a 6ª edição saiu em 2025. Nos Estados Unidos, o CDC publicou em 2024 a sua versão atualizada, que substituiu a de 2016, incluiu recomendações para doença renal crônica e revisou, entre outros pontos, as de trombose, trombofilia, doença valvar cardíaca, lúpus e interação com medicamentos para HIV.

No Brasil, o Protocolo FEBRASGO de Anticoncepção Hormonal Combinada (Femina, 2025) usa as mesmas quatro categorias da OMS:

Categoria O que significa
1 O método pode ser usado em qualquer circunstância
2 O método pode ser usado de modo geral; os benefícios superam os possíveis riscos
3 O uso não é recomendado, a menos que métodos mais adequados não estejam disponíveis
4 O método não deve ser usado (contraindicação absoluta)

Na prática, eu ofereço com tranquilidade os métodos que ficam nas categorias 1 e 2 para a sua condição, que é também o que o protocolo brasileiro recomenda.

Quando o método combinado sai da lista

Os métodos combinados (pílula com estrogênio e progestágeno, adesivo e anel vaginal) são os que mais têm restrições. O protocolo da FEBRASGO lista como contraindicação absoluta, entre outras situações:

  • enxaqueca com aura;
  • tabagismo de 15 ou mais cigarros por dia em mulher acima de 35 anos;
  • pressão alta descompensada (sistólica a partir de 160 ou diastólica a partir de 100 mmHg);
  • trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, atual ou no passado;
  • amamentação nas primeiras seis semanas após o parto, e os primeiros 21 dias após o parto em quem não amamenta e tem fator de risco para trombose.

Por isso eu pergunto sempre sobre enxaqueca, cigarro, pressão, trombose na família e em você, câncer de mama e medicamentos em uso. O mesmo protocolo lembra que a pílula combinada interage com alguns anticonvulsivantes e com a rifampicina. Ter uma dessas condições não deixa ninguém sem opção: os métodos só com progestágeno e os dispositivos intrauterinos costumam continuar disponíveis.

Pergunta 3: como é a sua rotina na vida real?

Nesse ponto entra a diferença entre uso perfeito e uso típico. Uso perfeito é o método usado sempre do jeito certo. Uso típico é o que acontece na vida real, com esquecimento, atraso e imprevisto. A tabela de Trussell (Contraception, 2011), que até hoje é a base dos materiais de aconselhamento, estima a chance de gravidez não planejada no primeiro ano de uso:

Método Uso típico Uso perfeito
Nenhum método 85% 85%
Coito interrompido 22% 4%
Preservativo masculino 18% 2%
Pílula (combinada ou só de progestágeno) 9% 0,3%
Adesivo 9% 0,3%
Anel vaginal 9% 0,3%
Injetável trimestral 6% 0,2%
DIU de cobre 0,8% 0,6%
DIU hormonal (levonorgestrel) 0,2% 0,2%
Implante 0,05% 0,05%
Laqueadura 0,5% 0,5%
Vasectomia 0,15% 0,10%

Repare na distância entre as duas colunas. Na pílula, ela é grande: 0,3% quando tomada sem falha, 9% na vida real. No DIU e no implante, praticamente não existe, porque depois de colocados eles não dependem de lembrar de nada. Se a sua rotina tem plantão, viagem, horário irregular ou esquecimento frequente, isso muda a conversa.

Por que os métodos de longa ação aparecem tanto nessa conversa

Os métodos reversíveis de longa ação são os DIUs (de cobre e hormonal) e o implante. O estudo de Winner e colaboradores (New England Journal of Medicine, 2012) acompanhou 7.486 mulheres que receberam o método escolhido sem custo. A taxa de falha com pílula, adesivo ou anel foi de 4,55 por 100 participantes-ano, contra 0,27 com DIU ou implante. Entre quem usava pílula, adesivo ou anel, as mulheres com menos de 21 anos tiveram risco de gravidez não planejada quase duas vezes maior que as mais velhas; com os métodos de longa ação, a eficácia não mudou com a idade.

No Brasil, a revisão de Machado e colaboradores (RBGO, 2017), feita dentro do projeto de diretrizes da FEBRASGO, destaca o pequeno número de situações que contraindicam os métodos de longa ação e defende que eles sejam apresentados de rotina no aconselhamento. Eu sigo essa linha: apresento sempre, sem empurrar.

Para quem nunca engravidou, o DIU não é vetado, e eu explico os detalhes em DIU para quem nunca engravidou.

Pergunta 4: o que acontece hoje com a sua menstruação?

O método também mexe no ciclo, e isso pode ser vantagem ou incômodo. Quem tem fluxo intenso ou cólica forte costuma se beneficiar do DIU hormonal, que tende a reduzir o sangramento. Quem quer manter o ciclo natural e não quer hormônio tem no DIU de cobre uma opção, sabendo que ele costuma aumentar o fluxo. A comparação detalhada entre os dois está em DIU de cobre ou hormonal.

Também pergunto sobre acne, oscilação de humor ligada ao ciclo, endometriose e anemia, porque cada uma dessas situações pode puxar a escolha para um lado.

Que exames eu peço antes?

Menos do que muita gente imagina. O protocolo da FEBRASGO de 2025 afirma que não são necessários exames complementares para iniciar a anticoncepção hormonal combinada, mas torna obrigatórias a medida da pressão arterial e uma conversa cuidadosa sobre trombose, trombofilia, tumores dependentes de hormônio e enxaqueca com aura. Para o DIU, o ultrassom ajuda a ver o formato do útero e a presença de mioma ou pólipo.

O que levar para a consulta

  • os métodos que você já usou, por quanto tempo e por que parou;
  • se você tem enxaqueca, e se ela vem com alteração visual antes da dor;
  • se fuma, e quanto;
  • história de trombose, embolia ou trombofilia em você ou na família próxima;
  • história pessoal ou familiar de câncer de mama;
  • os medicamentos que você usa, inclusive os de uso esporádico;
  • como é o seu fluxo e a sua cólica;
  • seus planos de gravidez para os próximos anos.

Perguntas frequentes

Qual é o anticoncepcional mais eficaz? Entre os reversíveis, o implante e os DIUs têm as menores taxas de gravidez no uso real, segundo a tabela de Trussell (2011). Eficácia, porém, é só um dos critérios.

Posso tomar pílula se tenho enxaqueca? Depende do tipo. Enxaqueca com aura é contraindicação absoluta à pílula combinada pelo protocolo da FEBRASGO. Sem aura, a avaliação é individual.

Fumo e tenho mais de 35 anos. Posso usar pílula combinada? Com 15 ou mais cigarros por dia, não. Há outras opções seguras, e eu mostro quais na consulta.

Preciso de exame de sangue antes de começar? Para o método combinado, o protocolo brasileiro não exige exames complementares; exige medir a pressão e uma boa conversa sobre a sua história.

O anticoncepcional protege contra infecção sexualmente transmissível? Só o preservativo protege. Ele pode ser usado junto com qualquer outro método.

Posso trocar de método se não me adaptar? Pode. O que não funcionou ajuda a escolher o próximo.

Se quiser conversar sobre qual método faz sentido para você, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Referências

  1. World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use. 5th ed. Geneva: World Health Organization; 2015. PMID 26447268
  2. World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use. 6th ed. Geneva: World Health Organization; 2025. PMID 41325508
  3. Nguyen AT, Curtis KM, Tepper NK, Kortsmit K, Brittain AW, Snyder EM, Cohen MA, Zapata LB, Whiteman MK. U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024. MMWR Recomm Rep. 2024;73(4):1-126. DOI 10.15585/mmwr.rr7304a1 · PMID 39106314
  4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Anticoncepção hormonal combinada. Femina. 2025;53(12):1382-1389. DOI 10.61622/0100-72545312202505
  5. Trussell J. Contraceptive failure in the United States. Contraception. 2011;83(5):397-404. DOI 10.1016/j.contraception.2011.01.021 · PMID 21477680
  6. Winner B, Peipert JF, Zhao Q, Buckel C, Madden T, Allsworth JE, Secura GM. Effectiveness of long-acting reversible contraception. N Engl J Med. 2012;366(21):1998-2007. DOI 10.1056/NEJMoa1110855 · PMID 22621627
  7. Machado RB, Monteiro IMU, Magalhães J, Guazzelli CAF, Brito MB, Finotti MF, Lubianca JN, Sakamoto LC, Franceschini SA. Long-Acting Reversible Contraception. Rev Bras Ginecol Obstet. 2017;39(6):294-308. DOI 10.1055/s-0037-1603647 · PMID 28672413
Dr. José Ricardo W. Ristow, ginecologista

Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico

Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.

Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 22 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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