Tem tratamento?
Tem. A SOP/SOMP, ou síndrome dos ovários policísticos, não tem cura, mas tem controle. E não existe um tratamento igual para todas: ele é montado a partir do que incomoda e do que você quer agora. Pode ser regular a menstruação, cuidar da acne e dos pelos, proteger a saúde do metabolismo ou engravidar.
É bem comum: uma diretriz internacional de 2023 estima que atinja de 10 a 13 em cada 100 mulheres.
Por que SOP/SOMP?
Em 2026, um grupo internacional de especialistas propôs um nome novo para a síndrome: síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ou SOMP. O nome antigo fala só dos ovários, e a síndrome mexe também com os hormônios e com o metabolismo. O diagnóstico continua o mesmo. Como os dois nomes ainda convivem, eu escrevo SOP/SOMP.
Como se faz o diagnóstico
É preciso ter duas de três coisas, depois de afastar outras causas:
| Sinal | Como eu vejo |
|---|---|
| Menstruação irregular | Ciclos muito curtos, muito longos ou menos de 8 por ano |
| Sinais de hormônio masculino em excesso | Pelos em excesso, ou exame de sangue |
| Ovário com muitos folículos | Ultrassom, ou um exame de sangue chamado AMH, só em adultas |
Se você tem menstruação irregular e pelos em excesso, o diagnóstico já pode ser feito, sem precisar do ultrassom. Em adolescentes, a regra é mais rígida, e o ultrassom não entra.
Ter muitos folículos no ultrassom, sozinho, não é SOP.
Os exames de saúde geral
A SOP mexe com mais do que os ovários. Por isso eu peço:
- glicose, de preferência a curva glicêmica, e repito de tempos em tempos;
- colesterol e triglicérides;
- pressão arterial, uma vez por ano;
- perguntas sobre humor, porque ansiedade e depressão são comuns na SOP;
- perguntas sobre sono, como ronco e cansaço ao acordar.
Dosar insulina não está na rotina recomendada.
O tratamento, por objetivo
| O que você quer | O que costuma entrar |
|---|---|
| Regular a menstruação e cuidar dos pelos | Pílula anticoncepcional combinada |
| Cuidar do açúcar e do colesterol | Metformina, junto com hábitos saudáveis |
| Engravidar | Remédio para ajudar a ovular, sendo o letrozol a primeira escolha |
| Se sentir melhor emocionalmente | Acompanhamento psicológico |
Hábitos saudáveis valem para todas. Comer bem e se mexer ajudam, mesmo quando o peso não muda. Quando o peso faz parte do plano, eu cuido disso dentro do próprio tratamento da SOP: metas de alimentação e de atividade física combinadas com você, acompanhamento dos exames e, quando indicado, remédio somado aos hábitos.
A pílula é a opção recomendada para regular o ciclo e diminuir os pelos. Se depois de seis meses o resultado nos pelos não for suficiente, outro remédio pode ser somado.
A metformina ajuda o açúcar e o colesterol em quem tem peso acima do ideal. A diretriz lembra que mudar os hábitos tem efeito parecido.
Para engravidar, quando a ovulação não acontece, o letrozol é o primeiro remédio indicado. Num grande estudo, ele resultou em mais bebês nascidos do que o remédio usado antes.
Inositol, muito procurado, mostrou pouco benefício nos estudos, e a diretriz não recomenda nenhum tipo específico.
Por que não deixar a menstruação sumir por meses
Quando a menstruação falta por muito tempo, o endométrio, a camada de dentro do útero, fica mais exposto a alterações. Por isso vale tratar, mesmo que a falta de menstruação não incomode.
O que levar na consulta
- As datas das últimas menstruações.
- Exames antigos de hormônios, glicose, colesterol e ultrassom.
- Os anticoncepcionais e remédios que você usa.
- O que mais incomoda e se pensa em engravidar.
Perguntas frequentes
SOP tem cura? Não, mas tem controle, e o tratamento muda conforme a fase da vida.
A pílula esconde a SOP? Ela atrapalha a leitura de alguns exames enquanto você usa. Isso não impede o diagnóstico, só pede cuidado.
Com SOP dá para engravidar? Quando a dificuldade é a ovulação, existe tratamento, e o letrozol é a primeira escolha.
Preciso dosar insulina? Não na rotina. A glicose é avaliada pela curva glicêmica.
Se quiser montar o seu plano para a SOP/SOMP, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.
Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.
A resposta direta
A SOP/SOMP não tem um tratamento único, porque ela não tem um sintoma único. O tratamento é montado a partir do que incomoda e do que você quer agora: regular a menstruação, cuidar da acne e do excesso de pelos, proteger o metabolismo ou engravidar. A diretriz internacional de 2023 (Teede e colaboradores), que reuniu 254 recomendações e orientações práticas, organiza o cuidado exatamente assim, por objetivo, e acrescenta um ponto que ficou de fora por muito tempo: a saúde emocional.
A SOP não tem cura, mas tem controle. A diretriz estima que ela atinja de 10% a 13% das mulheres no mundo, pelos critérios de Rotterdam.
Por que SOP/SOMP?
Em maio de 2026, um consenso internacional, liderado pelo mesmo grupo da Universidade Monash que coordenou a diretriz de 2023, propôs um nome novo para a síndrome: em inglês, polyendocrine metabolic ovarian syndrome (PMOS), que no Brasil vem sendo traduzido como síndrome ovariana metabólica poliendócrina, a SOMP (Teede e colaboradores, Lancet, 2026). O nome antigo destaca os “cistos” do ovário, que na verdade são folículos, e não diz nada sobre o lado hormonal e metabólico da síndrome. Os critérios de diagnóstico não mudaram. Como os dois nomes vão conviver por um tempo, eu escrevo SOP/SOMP; no resto do texto, uso SOP, que é como a maioria das pessoas ainda procura.
Como o diagnóstico mudou em 2023
O diagnóstico continua apoiado nos critérios de Rotterdam (2003): é preciso ter dois de três achados, depois de afastar outras causas.
| Critério | Como se avalia hoje |
|---|---|
| Ciclo irregular ou falta de ovulação | Depois de três anos da primeira menstruação: ciclos menores que 21 ou maiores que 35 dias, ou menos de 8 ciclos por ano |
| Excesso de hormônio masculino | Na mulher adulta, pelos em excesso (hirsutismo) já indicam o excesso de hormônio masculino; no sangue, testosterona total e livre, de preferência por método de alta precisão |
| Ovário com aspecto policístico | Ultrassom, de preferência transvaginal, com 20 ou mais folículos em pelo menos um ovário; ou, como novidade de 2023, o hormônio antimülleriano (AMH) no lugar do ultrassom, só em adultas |
Três detalhes da diretriz evitam erro:
- Ciclo irregular com sinais de hormônio masculino já fecha o diagnóstico. Nesse caso, nem o ultrassom nem o AMH são necessários.
- O AMH não serve sozinho e não deve ser pedido junto com o ultrassom para o mesmo fim, para não inflar o diagnóstico.
- Na adolescente, a regra é mais rígida. São necessários o ciclo irregular e o excesso de hormônio masculino, sem ultrassom e sem AMH, que nessa fase têm pouca especificidade.
Nos primeiros anos depois da primeira menstruação, a régua do ciclo é outra. Entre um e três anos depois dela, a diretriz considera irregulares os ciclos menores que 21 ou maiores que 45 dias. A partir do primeiro ano, qualquer ciclo acima de 90 dias também conta, assim como a ausência da primeira menstruação até os 15 anos. No primeiro ano, a irregularidade é considerada parte normal da puberdade.
Um ponto prático: a pílula combinada altera a dosagem dos hormônios masculinos. Se você já usa pílula, a avaliação no sangue fica difícil de interpretar, e eu decido com você se vale suspender antes de colher.
O que eu avalio além dos ovários
A SOP mexe com mais do que a menstruação. Por isso, a diretriz pede uma avaliação de saúde geral no diagnóstico, que eu sigo:
| O que avaliar | O que a diretriz orienta |
|---|---|
| Glicose | Em todas, no diagnóstico, de preferência com a curva glicêmica (75 g de glicose), e repetir a cada um a três anos conforme o risco |
| Colesterol e triglicérides | Em todas, no diagnóstico |
| Pressão arterial | Uma vez por ano e antes de engravidar |
| Humor | Rastrear depressão e ansiedade, que são frequentes na SOP |
| Sono | Perguntar sobre ronco, cansaço ao acordar e sonolência de dia, por causa da apneia do sono |
| Endométrio | Explicar o risco maior de alteração do endométrio quando a menstruação falta por muito tempo |
Uma coisa que a diretriz não recomenda: dosar a insulina na rotina. Ela reconhece a resistência à insulina como parte da SOP, mas considera os exames disponíveis pouco úteis para o dia a dia.
O tratamento, objetivo por objetivo
Estilo de vida, para todas
A diretriz recomenda alimentação saudável e atividade física para todas as mulheres com SOP, com metas construídas junto com a paciente. Ela também afirma que há benefício mesmo quando o peso não muda, e pede atenção ao estigma do peso no atendimento. Quando o controle do peso faz parte do plano, eu conduzo esse cuidado dentro do próprio tratamento da SOP, como parte da endocrinologia ginecológica: metas de alimentação e de atividade física combinadas com você, acompanhamento do peso, da glicose e do colesterol e, em adultas, quando indicado, os remédios que a diretriz admite para o controle do peso, sempre somados à mudança de estilo de vida.
Regular a menstruação e cuidar da pele
A pílula combinada é a opção recomendada para a mulher adulta com ciclo irregular e excesso de pelos. Alguns pontos da diretriz sobre ela:
- não há vantagem em doses mais altas de estrogênio para tratar os pelos;
- não há um tipo específico de pílula recomendado para a SOP, e a escolha segue os critérios gerais de segurança;
- a formulação com acetato de ciproterona fica como segunda linha, pesando o risco de trombose;
- para quem não pode usar estrogênio, a pílula só de progestágeno pode ser usada para proteger o endométrio.
Se depois de pelo menos seis meses de pílula, ou de tratamento estético dos pelos, a resposta for insuficiente, o antiandrogênio pode ser associado, sempre com contracepção eficaz. Os critérios para escolher a pílula estão em como escolher o anticoncepcional.
Proteger o metabolismo
A metformina deve ser considerada na mulher adulta com SOP e índice de massa corporal a partir de 25, para melhorar a resistência à insulina, a glicose e o colesterol. A diretriz faz uma ressalva honesta: a metformina e a mudança ativa de estilo de vida têm eficácia parecida. Os efeitos no estômago e no intestino são os mais comuns, costumam depender da dose e passar com o tempo, e começar com dose baixa, aumentando aos poucos, ajuda. O uso prolongado pode se associar a vitamina B12 baixa, o que entra no acompanhamento.
| Se o objetivo principal é… | A diretriz prefere |
|---|---|
| Pelos em excesso com ciclo irregular | Pílula combinada |
| Indicação metabólica | Metformina |
| Ciclo irregular em quem não pode ou não quer pílula | Metformina pode ser considerada |
Sobre o inositol, muito procurado, a diretriz conclui que o benefício clínico é limitado e que nenhum tipo, dose ou combinação específica pode ser recomendado por falta de evidência de qualidade.
Engravidar
Na mulher com SOP que não ovula e não tem outro fator de infertilidade, o letrozol é o medicamento de primeira linha para induzir a ovulação. A base dessa recomendação inclui o ensaio de Legro e colaboradores (2014), em que os nascidos vivos foram 27,5% com letrozol contra 19,1% com clomifeno. O letrozol é uso fora da bula em muitos países, e eu explico isso antes de prescrever. Antes de começar, a gravidez precisa estar descartada, e a diretriz orienta a curva glicêmica antes da gestação, pelo risco maior de diabetes na gravidez.
Cuidar da saúde emocional
Ansiedade e depressão são frequentes na SOP, e a diretriz pede rastreio em todas. Quando os sintomas são moderados ou intensos, a terapia psicológica pode ser a primeira linha, e o encaminhamento faz parte do tratamento.
O que muda no acompanhamento
A SOP é uma condição de longo prazo. O plano muda conforme a fase da vida: o que importa aos 17 anos, com acne e ciclo irregular, é diferente do que importa aos 32, tentando engravidar. Eu reavalio os exames de glicose no intervalo que a diretriz sugere e reviso o tratamento quando o seu objetivo muda.
Se a sua menstruação some por longos períodos, vale procurar avaliação: a falta prolongada de menstruação é um dos fatores de risco para alteração do endométrio que a diretriz descreve. Se o sangramento vem fora de hora, escrevi sobre isso em escape entre as menstruações.
O que levar na consulta
- As datas das últimas menstruações, de preferência de seis meses.
- Exames anteriores de hormônios, glicose e colesterol, e ultrassons.
- A lista de remédios e anticoncepcionais que você usa ou já usou.
- O que mais incomoda hoje e se pensa em engravidar.
Perguntas que vale fazer ao seu médico
- O meu diagnóstico preenche os critérios atuais?
- Quais exames de saúde geral eu preciso repetir, e quando?
- Qual tratamento atende o meu objetivo agora?
Perguntas frequentes
Ovário policístico tem cura? Não, mas tem controle. O tratamento é ajustado ao que você precisa em cada fase.
Ter ovário com muitos folículos no ultrassom é SOP? Não sozinho. O aspecto policístico é um dos três critérios, e são necessários dois, depois de afastar outras causas.
Preciso dosar insulina? A diretriz de 2023 não recomenda dosar insulina na rotina. A avaliação da glicose é feita com a curva glicêmica.
Com SOP eu consigo engravidar? Quando a dificuldade é a ovulação, existe tratamento. O letrozol é a primeira linha de medicamento quando a ovulação não acontece e não há outro fator de infertilidade.
A pílula esconde a SOP? Ela regula o sangramento e reduz os sinais de hormônio masculino, e por isso dificulta a interpretação dos exames enquanto você usa. Isso não impede o diagnóstico, só pede cuidado na leitura.
Inositol funciona? A diretriz encontrou benefício clínico limitado e não recomenda nenhum tipo ou dose específica.
Se quiser montar o seu plano para a SOP/SOMP, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.
Referências
- Teede HJ, Tay CT, Laven JJE, Dokras A, Moran LJ, Piltonen TT, Costello MF, Boivin J, Redman LM, Boyle JA, Norman RJ, Mousa A, Joham AE; International PCOS Network. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. Hum Reprod. 2023;38(9):1655-1679. DOI 10.1093/humrep/dead156. PMID 37580037
- Rotterdam ESHRE/ASRM-Sponsored PCOS consensus workshop group. Revised 2003 consensus on diagnostic criteria and long-term health risks related to polycystic ovary syndrome (PCOS). Hum Reprod. 2004;19(1):41-47. DOI 10.1093/humrep/deh098. PMID 14688154
- Legro RS, Brzyski RG, Diamond MP, et al. Letrozole versus clomiphene for infertility in the polycystic ovary syndrome. N Engl J Med. 2014;371(2):119-129. DOI 10.1056/NEJMoa1313517. PMID 25006718
- Teede HJ, Bahri Khomami M, Morman R, et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. Lancet. 2026;407(10545):2329-2339. DOI 10.1016/S0140-6736(26)00717-8. PMID 42119588

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico
Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.
Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 30 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.
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