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Ristow Ginecologia e Obstetrícia · Dr. José Ricardo Ristow
Síndrome dos ovários policísticos

SOP/SOMP (síndrome dos ovários policísticos): como se trata hoje

A SOP/SOMP não tem um tratamento único: depende do que incomoda e do que você quer agora. Explico em palavras simples o que a diretriz de 2023 recomenda.

Dr. José Ricardo W. Ristow

Escrito e revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593

Publicado em
12 min de leitura

Tem tratamento?

Tem. A SOP/SOMP, ou síndrome dos ovários policísticos, não tem cura, mas tem controle. E não existe um tratamento igual para todas: ele é montado a partir do que incomoda e do que você quer agora. Pode ser regular a menstruação, cuidar da acne e dos pelos, proteger a saúde do metabolismo ou engravidar.

É bem comum: uma diretriz internacional de 2023 estima que atinja de 10 a 13 em cada 100 mulheres.

Por que SOP/SOMP?

Em 2026, um grupo internacional de especialistas propôs um nome novo para a síndrome: síndrome ovariana metabólica poliendócrina, ou SOMP. O nome antigo fala só dos ovários, e a síndrome mexe também com os hormônios e com o metabolismo. O diagnóstico continua o mesmo. Como os dois nomes ainda convivem, eu escrevo SOP/SOMP.

Como se faz o diagnóstico

É preciso ter duas de três coisas, depois de afastar outras causas:

Sinal Como eu vejo
Menstruação irregular Ciclos muito curtos, muito longos ou menos de 8 por ano
Sinais de hormônio masculino em excesso Pelos em excesso, ou exame de sangue
Ovário com muitos folículos Ultrassom, ou um exame de sangue chamado AMH, só em adultas

Se você tem menstruação irregular e pelos em excesso, o diagnóstico já pode ser feito, sem precisar do ultrassom. Em adolescentes, a regra é mais rígida, e o ultrassom não entra.

Ter muitos folículos no ultrassom, sozinho, não é SOP.

Os exames de saúde geral

A SOP mexe com mais do que os ovários. Por isso eu peço:

  • glicose, de preferência a curva glicêmica, e repito de tempos em tempos;
  • colesterol e triglicérides;
  • pressão arterial, uma vez por ano;
  • perguntas sobre humor, porque ansiedade e depressão são comuns na SOP;
  • perguntas sobre sono, como ronco e cansaço ao acordar.

Dosar insulina não está na rotina recomendada.

O tratamento, por objetivo

O que você quer O que costuma entrar
Regular a menstruação e cuidar dos pelos Pílula anticoncepcional combinada
Cuidar do açúcar e do colesterol Metformina, junto com hábitos saudáveis
Engravidar Remédio para ajudar a ovular, sendo o letrozol a primeira escolha
Se sentir melhor emocionalmente Acompanhamento psicológico

Hábitos saudáveis valem para todas. Comer bem e se mexer ajudam, mesmo quando o peso não muda. Quando o peso faz parte do plano, eu cuido disso dentro do próprio tratamento da SOP: metas de alimentação e de atividade física combinadas com você, acompanhamento dos exames e, quando indicado, remédio somado aos hábitos.

A pílula é a opção recomendada para regular o ciclo e diminuir os pelos. Se depois de seis meses o resultado nos pelos não for suficiente, outro remédio pode ser somado.

A metformina ajuda o açúcar e o colesterol em quem tem peso acima do ideal. A diretriz lembra que mudar os hábitos tem efeito parecido.

Para engravidar, quando a ovulação não acontece, o letrozol é o primeiro remédio indicado. Num grande estudo, ele resultou em mais bebês nascidos do que o remédio usado antes.

Inositol, muito procurado, mostrou pouco benefício nos estudos, e a diretriz não recomenda nenhum tipo específico.

Por que não deixar a menstruação sumir por meses

Quando a menstruação falta por muito tempo, o endométrio, a camada de dentro do útero, fica mais exposto a alterações. Por isso vale tratar, mesmo que a falta de menstruação não incomode.

O que levar na consulta

  • As datas das últimas menstruações.
  • Exames antigos de hormônios, glicose, colesterol e ultrassom.
  • Os anticoncepcionais e remédios que você usa.
  • O que mais incomoda e se pensa em engravidar.

Perguntas frequentes

SOP tem cura? Não, mas tem controle, e o tratamento muda conforme a fase da vida.

A pílula esconde a SOP? Ela atrapalha a leitura de alguns exames enquanto você usa. Isso não impede o diagnóstico, só pede cuidado.

Com SOP dá para engravidar? Quando a dificuldade é a ovulação, existe tratamento, e o letrozol é a primeira escolha.

Preciso dosar insulina? Não na rotina. A glicose é avaliada pela curva glicêmica.

Se quiser montar o seu plano para a SOP/SOMP, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Quer o detalhe? O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes.
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Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.

A resposta direta

A SOP/SOMP não tem um tratamento único, porque ela não tem um sintoma único. O tratamento é montado a partir do que incomoda e do que você quer agora: regular a menstruação, cuidar da acne e do excesso de pelos, proteger o metabolismo ou engravidar. A diretriz internacional de 2023 (Teede e colaboradores), que reuniu 254 recomendações e orientações práticas, organiza o cuidado exatamente assim, por objetivo, e acrescenta um ponto que ficou de fora por muito tempo: a saúde emocional.

A SOP não tem cura, mas tem controle. A diretriz estima que ela atinja de 10% a 13% das mulheres no mundo, pelos critérios de Rotterdam.

Por que SOP/SOMP?

Em maio de 2026, um consenso internacional, liderado pelo mesmo grupo da Universidade Monash que coordenou a diretriz de 2023, propôs um nome novo para a síndrome: em inglês, polyendocrine metabolic ovarian syndrome (PMOS), que no Brasil vem sendo traduzido como síndrome ovariana metabólica poliendócrina, a SOMP (Teede e colaboradores, Lancet, 2026). O nome antigo destaca os “cistos” do ovário, que na verdade são folículos, e não diz nada sobre o lado hormonal e metabólico da síndrome. Os critérios de diagnóstico não mudaram. Como os dois nomes vão conviver por um tempo, eu escrevo SOP/SOMP; no resto do texto, uso SOP, que é como a maioria das pessoas ainda procura.

Como o diagnóstico mudou em 2023

O diagnóstico continua apoiado nos critérios de Rotterdam (2003): é preciso ter dois de três achados, depois de afastar outras causas.

Critério Como se avalia hoje
Ciclo irregular ou falta de ovulação Depois de três anos da primeira menstruação: ciclos menores que 21 ou maiores que 35 dias, ou menos de 8 ciclos por ano
Excesso de hormônio masculino Na mulher adulta, pelos em excesso (hirsutismo) já indicam o excesso de hormônio masculino; no sangue, testosterona total e livre, de preferência por método de alta precisão
Ovário com aspecto policístico Ultrassom, de preferência transvaginal, com 20 ou mais folículos em pelo menos um ovário; ou, como novidade de 2023, o hormônio antimülleriano (AMH) no lugar do ultrassom, só em adultas

Três detalhes da diretriz evitam erro:

  • Ciclo irregular com sinais de hormônio masculino já fecha o diagnóstico. Nesse caso, nem o ultrassom nem o AMH são necessários.
  • O AMH não serve sozinho e não deve ser pedido junto com o ultrassom para o mesmo fim, para não inflar o diagnóstico.
  • Na adolescente, a regra é mais rígida. São necessários o ciclo irregular e o excesso de hormônio masculino, sem ultrassom e sem AMH, que nessa fase têm pouca especificidade.

Nos primeiros anos depois da primeira menstruação, a régua do ciclo é outra. Entre um e três anos depois dela, a diretriz considera irregulares os ciclos menores que 21 ou maiores que 45 dias. A partir do primeiro ano, qualquer ciclo acima de 90 dias também conta, assim como a ausência da primeira menstruação até os 15 anos. No primeiro ano, a irregularidade é considerada parte normal da puberdade.

Um ponto prático: a pílula combinada altera a dosagem dos hormônios masculinos. Se você já usa pílula, a avaliação no sangue fica difícil de interpretar, e eu decido com você se vale suspender antes de colher.

O que eu avalio além dos ovários

A SOP mexe com mais do que a menstruação. Por isso, a diretriz pede uma avaliação de saúde geral no diagnóstico, que eu sigo:

O que avaliar O que a diretriz orienta
Glicose Em todas, no diagnóstico, de preferência com a curva glicêmica (75 g de glicose), e repetir a cada um a três anos conforme o risco
Colesterol e triglicérides Em todas, no diagnóstico
Pressão arterial Uma vez por ano e antes de engravidar
Humor Rastrear depressão e ansiedade, que são frequentes na SOP
Sono Perguntar sobre ronco, cansaço ao acordar e sonolência de dia, por causa da apneia do sono
Endométrio Explicar o risco maior de alteração do endométrio quando a menstruação falta por muito tempo

Uma coisa que a diretriz não recomenda: dosar a insulina na rotina. Ela reconhece a resistência à insulina como parte da SOP, mas considera os exames disponíveis pouco úteis para o dia a dia.

O tratamento, objetivo por objetivo

Estilo de vida, para todas

A diretriz recomenda alimentação saudável e atividade física para todas as mulheres com SOP, com metas construídas junto com a paciente. Ela também afirma que há benefício mesmo quando o peso não muda, e pede atenção ao estigma do peso no atendimento. Quando o controle do peso faz parte do plano, eu conduzo esse cuidado dentro do próprio tratamento da SOP, como parte da endocrinologia ginecológica: metas de alimentação e de atividade física combinadas com você, acompanhamento do peso, da glicose e do colesterol e, em adultas, quando indicado, os remédios que a diretriz admite para o controle do peso, sempre somados à mudança de estilo de vida.

Regular a menstruação e cuidar da pele

A pílula combinada é a opção recomendada para a mulher adulta com ciclo irregular e excesso de pelos. Alguns pontos da diretriz sobre ela:

  • não há vantagem em doses mais altas de estrogênio para tratar os pelos;
  • não há um tipo específico de pílula recomendado para a SOP, e a escolha segue os critérios gerais de segurança;
  • a formulação com acetato de ciproterona fica como segunda linha, pesando o risco de trombose;
  • para quem não pode usar estrogênio, a pílula só de progestágeno pode ser usada para proteger o endométrio.

Se depois de pelo menos seis meses de pílula, ou de tratamento estético dos pelos, a resposta for insuficiente, o antiandrogênio pode ser associado, sempre com contracepção eficaz. Os critérios para escolher a pílula estão em como escolher o anticoncepcional.

Proteger o metabolismo

A metformina deve ser considerada na mulher adulta com SOP e índice de massa corporal a partir de 25, para melhorar a resistência à insulina, a glicose e o colesterol. A diretriz faz uma ressalva honesta: a metformina e a mudança ativa de estilo de vida têm eficácia parecida. Os efeitos no estômago e no intestino são os mais comuns, costumam depender da dose e passar com o tempo, e começar com dose baixa, aumentando aos poucos, ajuda. O uso prolongado pode se associar a vitamina B12 baixa, o que entra no acompanhamento.

Se o objetivo principal é… A diretriz prefere
Pelos em excesso com ciclo irregular Pílula combinada
Indicação metabólica Metformina
Ciclo irregular em quem não pode ou não quer pílula Metformina pode ser considerada

Sobre o inositol, muito procurado, a diretriz conclui que o benefício clínico é limitado e que nenhum tipo, dose ou combinação específica pode ser recomendado por falta de evidência de qualidade.

Engravidar

Na mulher com SOP que não ovula e não tem outro fator de infertilidade, o letrozol é o medicamento de primeira linha para induzir a ovulação. A base dessa recomendação inclui o ensaio de Legro e colaboradores (2014), em que os nascidos vivos foram 27,5% com letrozol contra 19,1% com clomifeno. O letrozol é uso fora da bula em muitos países, e eu explico isso antes de prescrever. Antes de começar, a gravidez precisa estar descartada, e a diretriz orienta a curva glicêmica antes da gestação, pelo risco maior de diabetes na gravidez.

Cuidar da saúde emocional

Ansiedade e depressão são frequentes na SOP, e a diretriz pede rastreio em todas. Quando os sintomas são moderados ou intensos, a terapia psicológica pode ser a primeira linha, e o encaminhamento faz parte do tratamento.

O que muda no acompanhamento

A SOP é uma condição de longo prazo. O plano muda conforme a fase da vida: o que importa aos 17 anos, com acne e ciclo irregular, é diferente do que importa aos 32, tentando engravidar. Eu reavalio os exames de glicose no intervalo que a diretriz sugere e reviso o tratamento quando o seu objetivo muda.

Se a sua menstruação some por longos períodos, vale procurar avaliação: a falta prolongada de menstruação é um dos fatores de risco para alteração do endométrio que a diretriz descreve. Se o sangramento vem fora de hora, escrevi sobre isso em escape entre as menstruações.

O que levar na consulta

  • As datas das últimas menstruações, de preferência de seis meses.
  • Exames anteriores de hormônios, glicose e colesterol, e ultrassons.
  • A lista de remédios e anticoncepcionais que você usa ou já usou.
  • O que mais incomoda hoje e se pensa em engravidar.

Perguntas que vale fazer ao seu médico

  • O meu diagnóstico preenche os critérios atuais?
  • Quais exames de saúde geral eu preciso repetir, e quando?
  • Qual tratamento atende o meu objetivo agora?

Perguntas frequentes

Ovário policístico tem cura? Não, mas tem controle. O tratamento é ajustado ao que você precisa em cada fase.

Ter ovário com muitos folículos no ultrassom é SOP? Não sozinho. O aspecto policístico é um dos três critérios, e são necessários dois, depois de afastar outras causas.

Preciso dosar insulina? A diretriz de 2023 não recomenda dosar insulina na rotina. A avaliação da glicose é feita com a curva glicêmica.

Com SOP eu consigo engravidar? Quando a dificuldade é a ovulação, existe tratamento. O letrozol é a primeira linha de medicamento quando a ovulação não acontece e não há outro fator de infertilidade.

A pílula esconde a SOP? Ela regula o sangramento e reduz os sinais de hormônio masculino, e por isso dificulta a interpretação dos exames enquanto você usa. Isso não impede o diagnóstico, só pede cuidado na leitura.

Inositol funciona? A diretriz encontrou benefício clínico limitado e não recomenda nenhum tipo ou dose específica.

Se quiser montar o seu plano para a SOP/SOMP, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Referências

  1. Teede HJ, Tay CT, Laven JJE, Dokras A, Moran LJ, Piltonen TT, Costello MF, Boivin J, Redman LM, Boyle JA, Norman RJ, Mousa A, Joham AE; International PCOS Network. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. Hum Reprod. 2023;38(9):1655-1679. DOI 10.1093/humrep/dead156. PMID 37580037
  2. Rotterdam ESHRE/ASRM-Sponsored PCOS consensus workshop group. Revised 2003 consensus on diagnostic criteria and long-term health risks related to polycystic ovary syndrome (PCOS). Hum Reprod. 2004;19(1):41-47. DOI 10.1093/humrep/deh098. PMID 14688154
  3. Legro RS, Brzyski RG, Diamond MP, et al. Letrozole versus clomiphene for infertility in the polycystic ovary syndrome. N Engl J Med. 2014;371(2):119-129. DOI 10.1056/NEJMoa1313517. PMID 25006718
  4. Teede HJ, Bahri Khomami M, Morman R, et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. Lancet. 2026;407(10545):2329-2339. DOI 10.1016/S0140-6736(26)00717-8. PMID 42119588
Dr. José Ricardo W. Ristow, ginecologista

Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico

Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.

Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 30 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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