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Ristow Ginecologia e Obstetrícia · Dr. José Ricardo Ristow
Endometriose

Pós-operatório de endometriose: internação, dor e volta ao trabalho em cada tipo de cirurgia

O pós-operatório de endometriose vai de alta no mesmo dia a cerca de cinco dias internada. Explico de forma simples o que muda em cada tipo de cirurgia.

Dr. José Ricardo W. Ristow

Escrito e revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593

Publicado em
Revisado em · 13 min de leitura

Quanto tempo fico internada?

No pós-operatório de endometriose, a internação vai de alta no mesmo dia até cerca de cinco dias. O que decide é o tamanho do que foi feito na cirurgia, e não o nome da doença.

Talvez você já tenha lido que a recuperação leva “de 14 dias a um mês” e continuado sem saber o que esperar. Essa frase mistura cirurgias muito diferentes. Por isso, eu explico o pós-operatório em três degraus: endometriose superficial, endometriose profunda sem mexer no intestino e endometriose profunda com tratamento do intestino.

Por que cada degrau é diferente?

Na doença superficial, trabalho na película que reveste a pelve, sem abrir nenhum órgão.

Na profunda sem intestino, preciso soltar estruturas perto dos nervos que comandam a bexiga e o intestino. Por isso pode haver dificuldade passageira para urinar.

Quando o intestino é tratado, existe uma costura ou uma emenda entre dois pedaços dele. Essa emenda precisa cicatrizar com o intestino descansando, e é ela que explica a internação mais longa e a comida liberada aos poucos.

Dá para saber antes?

Na maioria das vezes, sim. O ultrassom com preparo do intestino e a ressonância mostram a extensão da doença antes da cirurgia. Com isso, combino com você a expectativa de internação e de afastamento antes do dia marcado.

Sobre o atestado: o prazo depende do tipo de cirurgia e do seu trabalho, e a tabela abaixo mostra a referência geral de volta ao trabalho. Converso antes e emito depois, conforme o que foi realmente feito.

Os prazos, degrau por degrau

Tipo de cirurgia Internação Volta ao trabalho
Superficial Alta no mesmo dia ou em 24 horas Em geral a partir de 1 a 2 semanas
Profunda sem intestino 1 a 2 dias Em geral a partir de 2 a 3 semanas
Profunda com intestino Cerca de 5 dias com recuperação acelerada, quase 6 sem ela Depois da alta, mais algumas semanas

Esforço, peso e academia voltam aos poucos: a partir de duas semanas no primeiro degrau, de três a quatro semanas no segundo e mais devagar no terceiro, sempre conforme avaliação médica.

Alguns números ajudam a entender o terceiro degrau. Com um conjunto de cuidados chamado recuperação acelerada, a internação cai cerca de um dia, e as complicações ficaram em cerca de 12 em cada 100 mulheres, contra 19 em cada 100 sem esses cuidados. Mesmo quando o plano era preservar o intestino, cerca de 7 em cada 100 precisaram retirar um pedaço durante a cirurgia. E as técnicas que preservam o intestino deixaram menos prisão de ventre e menos idas ao banheiro nos meses seguintes.

Como é a dor nos primeiros dias?

A dor dos cortes melhora em poucos dias. A dor no ombro, causada pelo gás usado para inflar a barriga, aparece nas primeiras 48 horas e passa com movimento e remédio simples. A dor mais funda, na pelve, demora mais e pode voltar um pouco na primeira menstruação.

Me procure na hora se tiver febre, dor que aumenta, vermelhidão ou secreção nos cortes, dificuldade para urinar, barriga estufada sem soltar gases ou sangramento vaginal forte. Se o intestino foi tratado, também se sair qualquer conteúdo pela vagina.

Perguntas frequentes

A cirurgia dói muito? A dor é controlada com remédio em horário fixo e costuma ser menor do que a dor que levou à cirurgia.

Sempre precisa tirar um pedaço do intestino? Não. Existem técnicas que preservam o intestino, e a maioria das mulheres operadas assim não precisa retirar um pedaço.

Vou precisar de bolsa? É possível quando um pedaço do intestino é retirado, mas não é regra. Converso sobre essa chance antes, olhando o seu exame.

Meu intestino volta ao normal? Parte das mulheres mantém alguma alteração do hábito. Isso aparece menos quando a técnica preserva o intestino.

Quando volto a treinar? Comece por caminhada. Impacto e carga voltam aos poucos, conforme avaliação médica.

Se a sua cirurgia já está indicada e você quer se organizar para o pós-operatório, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Quer o detalhe? O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes.
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Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.

Quanto tempo vou ficar internada?

Depende do que for feito na sala, e não do nome escrito no pedido. No pós-operatório de endometriose, a internação vai de alta no mesmo dia, quando a doença é superficial, até cerca de cinco dias, quando o intestino precisa ser tratado. Entre um extremo e outro existe um degrau intermediário, a doença profunda que não envolve o intestino.

Muita gente chega à consulta depois de ler que a recuperação leva “de 14 dias a um mês”. Essa frase junta, debaixo do mesmo nome, cirurgias que têm riscos, internações e prazos muito diferentes. Por isso prefiro organizar a conversa em três degraus:

  1. endometriose superficial;
  2. endometriose profunda sem tratamento do intestino;
  3. endometriose profunda com tratamento do intestino, por raspagem, ressecção em disco ou ressecção de um segmento.

Por que cada degrau se recupera de um jeito?

Porque cada um acrescenta um tipo de trauma ao anterior.

Na doença superficial, trabalho na membrana que reveste a pelve e libero aderências, sem abrir nenhum órgão. O corpo se recupera rápido.

Na profunda sem intestino, entra a dissecção do ureter, do septo retovaginal e dos ligamentos, numa região próxima dos nervos que comandam bexiga e intestino. Por trabalhar perto desses nervos, essa etapa pode deixar a bexiga preguiçosa por algum tempo.

Quando o intestino é tratado, existe uma sutura ou uma anastomose, que é a emenda entre dois segmentos do intestino. Essa emenda precisa cicatrizar com o órgão em repouso relativo, e é ela que determina a internação mais longa e a dieta liberada aos poucos.

Dá para saber o degrau antes da cirurgia?

Na maioria das vezes, sim. O degrau sai do mapeamento feito antes da operação, com ultrassom com preparo intestinal e ressonância. O Posicionamento FEBRASGO nº 6/2026, sobre preparo e planejamento perioperatório, recomenda definir a extensão prevista antes de entrar na sala. Esse planejamento me permite combinar com você a equipe, o tempo de cirurgia e a expectativa de alta antes do dia marcado.

Vale dizer também o que os documentos oficiais não fazem. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose do Ministério da Saúde, aprovado pela Portaria Conjunta nº 54, de 2 de junho de 2026, define quando operar e como seguir com o hormônio depois, mas não fixa prazo de recuperação, de afastamento nem de retorno ao esforço. Os demais documentos brasileiros sobre o tema também não. Por isso, os números que trago vêm dos estudos que mediram o pós-operatório, e o prazo de cada mulher sai da avaliação de quem operou.

O pós-operatório em números, degrau por degrau

Item Superficial Profunda sem intestino Profunda com intestino tratado
Internação Alta no mesmo dia ou em 24 h 1 a 2 dias Mediana de 4,8 dias com protocolo ERAS e 5,8 dias sem ele (Arena et al., 2024, 579 pacientes)
Alimentação Liberada no mesmo dia Liberada em 24 h Progressiva, conforme o intestino volta a funcionar
Sonda na bexiga Retirada logo após a cirurgia Pode ficar mais tempo se houve dissecção perto dos nervos Como na profunda, com atenção à emenda
Complicações descritas Relato limitado nos ensaios (Bafort et al., 2020) Relato limitado nos ensaios 12,5% com ERAS e 19,0% sem ERAS (Arena et al., 2024)
Mudança de técnica durante a cirurgia Rara Possível 7,4% do grupo conservador terminaram em ressecção segmentar (Roman et al., ensaio randomizado, 2018)
Estoma temporário Não se aplica Não se aplica Menos frequente com raspagem do que com ressecção segmentar (O’Brien et al., 2023)
Intestino nos meses seguintes Sem mudança esperada Sem mudança esperada Raspagem e disco com menos constipação e menos evacuações acima de três por dia do que a ressecção segmentar (Darici et al., 2025)
Esforço, peso e academia Retomada progressiva a partir de 2 semanas, conforme avaliação médica Retomada progressiva a partir de 3 a 4 semanas, conforme avaliação médica Retomada mais lenta, conforme avaliação médica
Volta ao trabalho Em geral a partir de 1 a 2 semanas, conforme o tipo de trabalho Em geral a partir de 2 a 3 semanas Costuma acompanhar a alta mais algumas semanas

Faço questão de uma ressalva sobre as três últimas linhas. Os prazos de esforço, academia e volta ao trabalho não vêm de ensaio clínico em endometriose: nenhum estudo randomizado mediu retorno ao trabalho por tipo de cirurgia de endometriose. São conduta clínica, ajustada a cada caso, e por isso aparece “conforme avaliação médica” onde caberia um número. O que a literatura mede bem é internação e complicação, e é isso que está nas linhas de cima, com autor e ano.

O que é o protocolo de recuperação acelerada?

ERAS é a sigla em inglês para recuperação acelerada após cirurgia. É um conjunto de medidas antes, durante e depois da operação que busca devolver a mulher à rotina mais cedo. Em cirurgia ginecológica minimamente invasiva com procedimento intestinal, esses protocolos encurtam a internação sem aumentar complicação, segundo a revisão sistemática de Kalogera e colaboradores, de 2019, e a diretriz da ERAS Society atualizada em 2023 (Nelson e colaboradores).

O exemplo mais próximo da endometriose vem da Itália. Arena e colaboradores acompanharam 579 mulheres operadas por doença no retossigmoide e viram a internação cair cerca de um dia depois que o protocolo foi adotado, embora o grupo mais recente tivesse passado por mais cirurgias intestinais.

Como a dor se comporta nos primeiros dias?

A dor depois da videolaparoscopia tem três origens, e cada uma segue um ritmo.

Nos pequenos cortes da barriga, o incômodo diminui nos primeiros dias. A dor no ombro, provocada pelo gás usado para inflar o abdome, aparece nas primeiras 48 horas e melhora com movimento e analgesia simples. Ela surpreende quem não foi avisada, por isso falo dela antes da cirurgia. A dor pélvica profunda, ligada à dissecção, demora mais para ceder e pode oscilar na primeira menstruação depois da operação.

Quais sinais pedem contato imediato?

Em qualquer degrau, peço contato imediato diante de:

  • febre;
  • dor que aumenta em vez de diminuir;
  • vermelhidão ou secreção nas incisões;
  • dificuldade para urinar;
  • barriga distendida com parada de eliminação de gases;
  • sangramento vaginal intenso.

Quando o intestino foi tratado, acrescento qualquer saída de conteúdo pela vagina.

E o atestado?

Nenhum estudo fixa esse número em endometriose. O prazo depende do degrau da cirurgia e do tipo de trabalho, e a tabela acima traz só a referência geral de volta ao trabalho. Converso sobre isso antes da cirurgia, para que você possa se organizar, e emito o atestado depois, de acordo com o que foi realmente feito.

O que ajuda a planejar a recuperação

  • Laudos e imagens do ultrassom com preparo intestinal e da ressonância
  • Descrição de cirurgias abdominais anteriores, inclusive cesárea
  • Lista de medicamentos, com atenção a anticoagulantes e anti-inflamatórios de uso contínuo
  • Quantos dias você consegue se afastar e que tipo de esforço o seu trabalho exige
  • Quem vai acompanhar você na alta e nos primeiros dias em casa

O que perguntar antes de marcar a data

  • Pelo meu exame, qual dos três degraus é o mais provável?
  • Existe chance de tratar o intestino? Qual técnica está prevista?
  • Qual é a chance de eu sair com estoma temporário, e como ele seria manejado?
  • Quantos dias de internação estão programados, e com qual protocolo de recuperação?
  • Quem me acompanha depois da alta, e quando é o primeiro retorno?
  • Que sinal em casa devo tratar como urgência?

A cobertura pelo plano inclui o pós-operatório?

A videolaparoscopia para tratamento de endometriose, inclusive com participação da coloproctologia quando o intestino está acometido, consta no rol de procedimentos da ANS e, havendo indicação médica, costuma ter cobertura pelos planos de saúde. A autorização depende de cada contrato. Materiais, equipe adicional e diárias de terapia intensiva, se previstas, entram no mesmo pedido. Cirurgias do terceiro degrau são programadas em hospital com retaguarda cirúrgica e de terapia intensiva compatível com a extensão prevista.

Se ainda há dúvida sobre a necessidade de operar, a conversa começa antes, em endometriose: remédio ou cirurgia.

Perguntas frequentes

Quantos dias fico internada no caso mais extenso? Com tratamento do intestino, a série de Arena e colaboradores, de 2024, descreveu mediana de 4,8 dias com protocolo de recuperação acelerada e 5,8 dias sem ele. Nos degraus anteriores, a alta costuma sair no mesmo dia ou em um a dois dias.

Quem participa da cirurgia mais extensa? A operação é conduzida por ginecologista com formação em cirurgia minimamente invasiva. No terceiro degrau, a coloproctologia participa, e a urologia entra quando há ureter ou bexiga envolvidos.

A cirurgia de endometriose dói muito? Os analgésicos são dados em horário fixo, e em geral essa dor incomoda menos do que a dor da doença que motivou a operação. O incômodo no ombro causado pelo gás passa.

Endometriose no intestino sempre exige retirar um pedaço? Não. Raspagem e ressecção em disco preservam o órgão. No ensaio randomizado de Roman e colaboradores, de cada 100 mulheres sorteadas para a técnica conservadora, 7,4 acabaram tendo um segmento retirado na própria operação.

Vou sair com bolsa? O estoma temporário é uma possibilidade real quando há ressecção segmentar, e não uma regra. Na revisão de O’Brien e colaboradores, o estoma foi menos necessário quando a técnica foi a raspagem do que quando houve ressecção. Falo sobre essa chance antes, com base no seu exame.

Meu intestino volta a funcionar como antes? Na metanálise de Darici e colaboradores, de 2025, quem foi operada com técnica conservadora teve menos intestino preso e menos episódios de mais de três evacuações por dia do que quem passou por ressecção segmentar. Quanto a perder gases ou fezes sem controle, os grupos não diferiram. Algumas mulheres seguem com o hábito intestinal um pouco diferente do que era antes.

Quando posso voltar a treinar? Comece por caminhada. Exercício de impacto e peso entram depois, após avaliação médica: no primeiro degrau esse retorno é mais rápido, e no terceiro é o mais demorado.

Se você já tem a cirurgia indicada e quer planejar o pós-operatório com antecedência, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Referências

  1. Arena A, Degli Esposti E, Pazzaglia E, et al. Not All Bad Comes to Harm: Enhanced Recovery After Surgery for Rectosigmoid Endometriosis. J Minim Invasive Gynecol. 2024;31(1):49-56. PMID 37839779
  2. Roman H, Bubenheim M, Huet E, et al. Conservative surgery versus colorectal resection in deep endometriosis infiltrating the rectum: a randomized trial. Hum Reprod. 2018;33(1):47-57. PMID 29194531
  3. O’Brien L, Morarasu S, Morarasu BC, et al. Conservative surgery versus colorectal resection for endometriosis with rectal involvement: a systematic review and meta-analysis. Int J Colorectal Dis. 2023;38(1):55. PMID 36847868
  4. Darici E, Bokor A, Pashkunova D, Senft B, Cimşit N, Hudelist G. Gastrointestinal function outcomes following radical and conservative colorectal surgery for deep endometriosis. Acta Obstet Gynecol Scand. 2025;104(4):615-628. PMID 39962770
  5. Kalogera E, Dowdy SC, et al. Enhanced Recovery after Minimally Invasive Gynecologic Procedures with Bowel Surgery: A Systematic Review. J Minim Invasive Gynecol. 2019;26(2):288-298. PMID 30366117
  6. Nelson G, et al. Enhanced recovery after surgery (ERAS) society guidelines for gynecologic oncology: addressing implementation challenges, 2023 update. Gynecol Oncol. 2023;173:58-67. PMID 37086524
  7. Silva ALd, et al. Manejo cirúrgico da endometriose: indicações, preparo da paciente e planejamento perioperatório. Posicionamento FEBRASGO nº 6/2026. Femina. 2026;54(4):306-318. DOI 10.61622/0100-7254544202606
  8. Bafort C, Beebeejaun Y, Tomassetti C, Bosteels J, Duffy JM. Laparoscopic surgery for endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2020;10(10):CD011031. DOI 10.1002/14651858.CD011031.pub3
  9. Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. DOI 10.1093/hropen/hoac009
  10. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose. Portaria Conjunta SAES/SAPS/SCTIE nº 54, de 2 de junho de 2026. Brasília: Ministério da Saúde; 2026. gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/e/endometriose
Dr. José Ricardo W. Ristow, ginecologista

Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico

Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.

Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 22 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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