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Ristow Ginecologia e Obstetrícia · Dr. José Ricardo Ristow
Antes e depois da cirurgia

O que perguntar ao ginecologista antes de marcar a cirurgia

Antes de marcar a cirurgia, confira o registro do médico em poucos minutos e leve oito perguntas simples sobre via, riscos e o que acontece depois da operação.

Dr. José Ricardo W. Ristow

Escrito e revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593

Publicado em
Revisado em · 12 min de leitura

Dá para escolher bem sem ser médica?

Dá. Antes de marcar uma cirurgia ginecológica, você pode conferir sozinha se o médico tem registro ativo no conselho de medicina e se a especialidade dele está registrada, com um número chamado RQE. O resto você avalia na consulta, pelas perguntas que faz e pelas explicações que recebe.

Muitas mulheres chegam à decisão de operar cansadas, com dor ou com medo, e acham que perguntar demais pode parecer desconfiança. Não parece. Uma boa decisão é aquela em que você entendeu o motivo, o jeito de operar e o que vem depois. Tudo o que escrevo abaixo vale para qualquer cirurgião, inclusive para mim.

As perguntas que eu sugiro levar

Pergunta O que você descobre
Qual é o seu RQE? Se a especialidade está registrada
Você faz esta cirurgia com frequência? A prática com o seu procedimento
Por que operar por este caminho? O raciocínio por trás da escolha
O que pode dar errado no meu caso? Os riscos concretos
E se a doença voltar? O plano para depois
Quem me acompanha depois? Como o cuidado está organizado
Em quais hospitais você opera? A estrutura se algo sair do previsto
Existe opção sem cirurgia agora? As alternativas

Leve escritas. Na hora da consulta, é fácil esquecer.

O que é o RQE

RQE quer dizer Registro de Qualificação de Especialista. Quem dá esse número é o conselho de medicina, e não a faculdade nem o hospital.

O médico primeiro conquista o título de especialista, fazendo residência ou passando na prova da sociedade da especialidade. Depois leva o título ao conselho, que registra e gera o número. Título sem registro não vale como especialidade. E quem não tem o registro não pode anunciar que trata uma doença específica.

Dentro da ginecologia existem áreas com formação extra, como a endoscopia ginecológica, e elas também têm RQE próprio.

Como conferir você mesma

A consulta não tem custo e leva poucos minutos. No site do Conselho Federal de Medicina, em portal.cfm.org.br/busca-medicos, você busca pelo nome ou pelo número do registro. Em São Paulo, a mesma busca existe em guiamedico.cremesp.org.br. O resultado mostra se o registro está ativo e quais especialidades têm RQE.

Esses dados também precisam aparecer nos materiais de divulgação do médico. Se não estiverem, pergunte.

O que os estudos dizem sobre o jeito de operar

Na retirada do útero, quando a cirurgia é feita pela vagina, a volta às atividades acontece cerca de onze dias antes do que quando é feita por um corte na barriga. A cirurgia por vídeo também devolve a rotina mais cedo do que a cirurgia aberta. Nenhum caminho é livre de risco, por isso a escolha depende do seu caso.

Sobre o robô: na cirurgia de endometriose, a cirurgia por vídeo com ajuda de robô não mostrou vantagem sobre a cirurgia por vídeo comum. O equipamento é uma ferramenta e não decide sozinho.

O que você pode esperar

Nenhum médico pode prometer resultado, garantir cura ou divulgar preço de cirurgia. Um cirurgião que fala em probabilidade, explica os riscos e aceita a pergunta sobre a doença voltar está fazendo o que a regra pede.

Antes da cirurgia, você vai receber um termo de consentimento. Leia com calma, em casa se precisar, e traga as dúvidas antes de assinar.

Perguntas frequentes

Todo ginecologista pode operar? A formação em ginecologia inclui cirurgia. O que muda é a prática com cada tipo de operação, e é isso que vale perguntar.

Cirurgia com robô é melhor? Na cirurgia ginecológica de doenças que não são câncer, os estudos não mostram vantagem consistente do robô.

Posso pedir segunda opinião? Pode, e é comum. Leve o relatório e os exames.

Posso perguntar quantas vezes o médico fez a minha cirurgia? Pode. A resposta que ajuda é sobre o seu procedimento, e não sobre a carreira inteira.

E se a minha cirurgia for de mioma? Pergunte se dá para preservar o útero no seu caso, e por quê.

Se quiser conversar sobre essas perguntas, me mande uma mensagem no WhatsApp (11) 93371-4477.

Quer o detalhe? O mesmo assunto com os estudos, os números e as fontes.
Versão completa

Para quem quer o detalhe técnico, com as referências numeradas no fim.

Dá para avaliar um cirurgião sem ser da área?

Dá. Antes de marcar uma cirurgia ginecológica, você pode conferir três coisas sozinha, em poucos minutos: se o registro do médico no Conselho Regional de Medicina está ativo, se existe RQE registrado na especialidade e qual formação ele declara. O resto se avalia na própria consulta, pelas perguntas que você faz e pelas explicações que recebe.

No consultório, eu percebo que muitas mulheres chegam à decisão de operar cansadas, com dor ou com medo, e sentem que perguntar demais seria falta de confiança. É o contrário. Uma cirurgia bem decidida é aquela em que a paciente entendeu o motivo, a via e o que pode acontecer depois.

Tudo o que eu descrevo a seguir vale para qualquer cirurgião, inclusive para mim. Os meus registros podem ser conferidos da mesma forma.

Quais perguntas levar para a consulta?

Eu sugiro levar estas oito perguntas escritas. A segunda coluna mostra o que cada resposta ajuda você a entender.

Pergunta O que a resposta esclarece
Qual é o seu RQE, e em qual especialidade ou área de atuação? Se a formação está registrada no Conselho
Com que frequência você faz esta cirurgia específica? A familiaridade com o seu procedimento, e não com cirurgia em geral
Por qual via você indica operar no meu caso, e por quê? O raciocínio por trás da escolha da via
Quais complicações podem acontecer comigo? Os riscos concretos do seu caso
O que fazemos se a doença voltar? O plano para depois do dia da cirurgia
Quem opera junto e quem me acompanha depois? Como está organizado o cuidado
Em quais hospitais você opera? A estrutura disponível se algo sair do previsto
Existe alternativa sem cirurgia para mim agora? As opções além da cirurgia

Nenhuma dessas perguntas é indelicada. Quando a paciente traz uma lista assim, a consulta fica mais objetiva para os dois lados.

Por que essas perguntas, e não outras?

Cada uma delas mira um ponto diferente da decisão.

A frequência com o procedimento. A pergunta útil não é sobre o total de cirurgias da carreira, e sim sobre a cirurgia que você vai fazer. Retirar um pólipo por histeroscopia, tratar endometriose profunda e corrigir um prolapso são atos muito diferentes, e a familiaridade com um não se transfere automaticamente para o outro.

A via. Vaginal, laparoscópica, histeroscópica ou aberta: cada uma tem indicação, vantagem e limite. Pedir que o médico explique por que escolheu aquela via para o seu caso é a forma mais simples de entender o plano.

As complicações. Toda cirurgia tem risco. Conhecer os riscos concretos do seu caso, e o que se faz se um deles acontecer, ajuda você a decidir com os pés no chão.

A recidiva. Algumas doenças ginecológicas podem voltar depois da cirurgia, e a endometriose é o exemplo mais conhecido. Saber o plano para essa possibilidade faz parte de uma indicação bem pensada.

A alternativa sem cirurgia. Em muitos quadros existe tratamento clínico, ou a opção de acompanhar por um tempo. Conhecer essas opções não enfraquece a indicação. Ao contrário, mostra que ela foi pesada.

O que é RQE, e como ele se obtém?

RQE quer dizer Registro de Qualificação de Especialista. Quem emite é o Conselho Regional de Medicina, e não a faculdade nem o hospital.

O caminho tem duas etapas. Primeiro, o médico obtém o título de especialista por uma de duas vias: residência médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica, ou prova de título aplicada pela sociedade da especialidade em convênio com a Associação Médica Brasileira. Em ginecologia e obstetrícia, essa prova é o TEGO, da FEBRASGO. Depois, o médico leva o título ao Conselho Regional e solicita o registro, que gera o número de RQE. Pela Resolução CFM nº 2.148/2016, o Conselho Regional só pode registrar título ou certificado emitido pela AMB ou pela CNRM e reconhecido pela Comissão Mista de Especialidades.

Daí saem duas regras práticas. Pela Resolução CFM nº 2.336/2023, artigo 13, §2º, especialista é quem apresenta RQE; título sem registro não conta. E o artigo 11, inciso I, da mesma resolução proíbe o médico não especialista de divulgar que trata órgãos ou doenças específicas.

Existe ainda uma camada a mais. A Resolução CFM nº 2.380/2024 traz a lista vigente de especialidades e áreas de atuação. Ginecologia e Obstetrícia é especialidade. Endoscopia ginecológica é área de atuação reconhecida, com pré-requisito de residência em Ginecologia e Obstetrícia, e tem RQE próprio. Área de atuação é uma formação adicional dentro da especialidade.

Como conferir o registro de qualquer médico?

A consulta é pública e não tem custo.

No portal do Conselho Federal de Medicina, a busca de médicos fica em portal.cfm.org.br/busca-medicos. Você pesquisa por nome, estado e número de CRM, e aparecem a situação do registro e as especialidades com RQE. Em São Paulo, o Cremesp oferece a mesma consulta em guiamedico.cremesp.org.br.

A norma também exige que esses dados apareçam na comunicação do médico. O artigo 4º da Resolução CFM nº 2.336/2023 determina que as peças de divulgação tragam nome e número de registro no CRM acompanhados da palavra MÉDICO, além da especialidade ou área de atuação com o número do RQE, quando registrada. Se a informação não estiver visível, basta perguntar.

O que a literatura diz sobre via e tecnologia?

Duas perguntas da lista têm resposta publicada, e eu gosto de mostrar essa resposta na consulta.

A via importa. A revisão Cochrane de 2023, de Pickett e colaboradores, reuniu 63 estudos e mais de seis mil mulheres para comparar as vias de histerectomia em doença benigna. Pela via vaginal, o retorno às atividades aconteceu cerca de onze dias antes do que pela via abdominal, e a laparoscopia também permitiu retorno mais rápido do que a cirurgia aberta. Nenhuma via é isenta de risco, e por isso a escolha depende do caso. Quando eu indico uma via, explico por que ela faz sentido para aquele útero, aquela doença e aquela paciente.

O equipamento não decide sozinho. A revisão sistemática de Csirzó e colaboradores, publicada em Surgical Endoscopy em 2024, não encontrou vantagem demonstrável da laparoscopia assistida por robô sobre a laparoscopia convencional na cirurgia de endometriose. A tecnologia é uma ferramenta. O que define a cirurgia é a indicação e a forma de executá-la.

O que você pode esperar de qualquer cirurgião

Algumas coisas estão em norma. A publicidade médica no Brasil proíbe promessa de resultado, garantia de cura e superlativo, e também proíbe divulgar preço de procedimento cirúrgico. Um cirurgião que fala em probabilidade, nomeia os riscos e aceita a pergunta sobre recidiva está trabalhando dentro do que a norma espera.

Perguntar sobre complicação não é desconfiança. Pedir segunda opinião também não. São partes normais de uma decisão cirúrgica. Quando a paciente me diz que vai ouvir outro colega antes de decidir, eu entrego o relatório e os exames organizados, assim o colega parte das mesmas informações que eu usei. A decisão é dela, e fica mais segura quando ela tem as respostas na mão.

Há um documento que costuma passar rápido demais: o termo de consentimento livre e esclarecido. Em texto publicado na revista Femina em 2020, Damásio e Wender descrevem esse termo como oportunidade de discussão clara com a paciente e defendem que o uso adequado dele faça parte da prática médica. Eu peço que o termo seja lido com calma, em casa se for preciso, e que toda dúvida volte para a consulta antes da assinatura.

E a cobertura pelo plano?

As cirurgias ginecológicas constam no rol de procedimentos da ANS e, havendo indicação médica, costumam ter cobertura pelos planos de saúde. A autorização depende de cada contrato, e a escolha do cirurgião fica entre os profissionais que atendem o seu plano. O caminho do pedido está em Quanto tempo o plano leva para autorizar a minha cirurgia.

Perguntas frequentes

O que é o TEGO? É a prova de título em Ginecologia e Obstetrícia aplicada pela FEBRASGO em convênio com a Associação Médica Brasileira. Levado ao Conselho Regional, o título gera o RQE.

Todo ginecologista pode operar? A especialidade em Ginecologia e Obstetrícia inclui formação cirúrgica. O que varia é a prática com cada procedimento, e essa é a pergunta útil.

Cirurgia com robô é melhor? Em cirurgia ginecológica benigna, a evidência disponível não mostra vantagem consistente do robô sobre a laparoscopia convencional.

Posso perguntar quantas vezes o médico já fez a minha cirurgia? Pode. A resposta que ajuda é sobre o seu procedimento, e não sobre o total da carreira.

Vale pedir segunda opinião? Vale. Leve o relatório e os exames: com eles, o outro médico consegue avaliar o caso desde o início, com a mesma base.

O que perguntar se a cirurgia for de endometriose? Pergunte como será abordada a doença profunda, se há equipe multidisciplinar disponível e qual é o plano diante de recidiva.

O que perguntar se a cirurgia for de mioma? Pergunte se a proposta preserva o útero, quando isso é possível, e por quê.

E na cirurgia para perda de urina? Pergunte se a fisioterapia do assoalho pélvico já foi tentada, qual material será usado e quem acompanha uma eventual complicação.

Se quiser levar essas perguntas para uma conversa comigo, me chame no WhatsApp (11) 93371-4477.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.148/2016. Registro de títulos de especialista e certificados de área de atuação; Comissão Mista de Especialidades. PDF oficial do CFM
  2. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.380/2024. Lista vigente de especialidades médicas e áreas de atuação. PDF oficial do CFM
  3. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023, art. 4º (identificação), art. 11, I (divulgação por não especialista) e art. 13, §2º (RQE). PDF oficial do CFM
  4. Pickett CM, et al. Surgical approach to hysterectomy for benign gynaecological disease. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2023. DOI 10.1002/14651858.CD003677.pub6
  5. Csirzó Á, et al. Robot-assisted laparoscopy does not have demonstrable advantages over conventional laparoscopy in endometriosis surgery: a systematic review and meta-analysis. Surgical Endoscopy. 2024. DOI 10.1007/s00464-023-10587-9 · PMID 38062181
  6. Damásio LCVC, Wender MCO. A importância dos termos de consentimento. Femina. 2020;48(7):419-420. DOI 10.61622/0100-7254487202004
Dr. José Ricardo W. Ristow, ginecologista

Dr. José Ricardo W. Ristow

CRM-SP 206.100 · MÉDICO · Ginecologista e Obstetra · RQE 114.593 · Responsável técnico

Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo e especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Pérola Byington.

Revisado por Dr. José Ricardo W. Ristow em 22 de outubro de 2026. Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica.

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